sexta-feira, janeiro 20, 2012

Leituras de Manuel Antunes, S.J.


Conhecido e estimado nos meios intelectuais e académicos portugueses, o pensador, professor e sacerdote jesuíta Manuel Antunes – nascido na Sertã (1918) e falecido em Lisboa a 18.01.1985 –, é uma daquelas figuras cujas dimensões humanas e espirituais (a par de uma grande erudição, prodigiosa capacidade pedagógica, notável labor de investigação e divulgação de saberes) granjearam ímpar admiração e raro e consensual reconhecimento cívico, ético, cultural, institucional e político.

Conselheiro do presidente Ramalho Eanes, viria a receber, merecidamente, a Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, em 1983.

Doutorado com uma Tese sobre a filosofia existencial (de S. Kierkegaard a Martin Heidegger), cedo porém se interessou especialmente pela História da Cultura Clássica, cuja temática disciplinar viria a ensinar (entre 1957 e 1983) na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a convite do seu amigo Vitorino Nemésio…

– Incansável colaborador (desde 1955) da Brotéria, que dirigiu depois durante vinte anos, nesta Revista, sob nome próprio (e com 124 pseudónimos…), deixou-nos uma produção ensaística imensa e diversificada (com relevo para assuntos de teor literário, filosófico, teológico, religioso e sociopolítico), em parte recolhida posteriormente na dezena e meia de notáveis livros seus e agora em merecida publicação completa pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Ora depois do Congresso Internacional que lhe foi dedicado (2005) e da sucessiva edição de depoimentos sobre a sua Vida e admirável Obra, acaba de ser lançada uma nova e bela Antologia de diversíssimos e mutuamente iluminantes testemunhos pessoais – simultaneamente transhistóricos e intemporais (“Retratos e Memórias”) – sobre o nosso saudoso Padre Manuel Antunes como Um Pedagogo da Democracia:

– Do Cardeal Cerejeira a Eduardo Lourenço, de D. Manuel Clemente a Mário Soares, ou de Pinto Balsemão a Sophia de Mello Breyner, são textos (mais de sessenta!) que vale a pena ler, em tempo de indigências culturais e outras assustadoras menoridades
_____