Uma Estrela de Redenção
Presença basilar, fortemente simbólica
e significativa no Calendário festivo, religioso e comemorativo dos Povos,
Civilizações e Culturas da Era Cristã – embora provavelmente com raízes na
festa pagã do nascimento cíclico do “Sol Invicto” (isto é, do culto da vitória
cósmica do Sol sobre as Trevas no Solstício de Inverno) –, desde sempre, ou
pelo menos bastante remotamente, todos os anos por esta altura, e sempre cada
vez mais em crescente dimensão planetária, aos mais diversos níveis e nos mais
variados campos da existência humana, constituiu o Natal motivo para variadas celebrações,
evocações e inspiração para a criação de categorias de pensamento e figurações
da imaginação.
Ora este nosso Natal de 2012,
– para além
das tradicionais vivências profanas
ou de marcado cunho mercantilizante (bem enxutas aliás, estas, devido aos
flagelos da austeridade e aos cautelares medos das anunciadas falências de
trabalho, saúde e economia que já dobraram, em Portugal – para já não falarmos
do Terceiro Mundo ali cada vez mais vizinho… – a esquina do suportável com
dignidade, ou, até, com o mínimo de possibilidade de subsistência!);
– para além
das comemorações familiares,
socioculturais, artísticas e musicais que ainda dão alguma graça, brilho,
inocência ou enlevo à alma, aos olhos e aos ouvidos das crianças e dos adultos
comovidos pela saudade do Passado ou pela esperança do Futuro;
e – para além,
enfim – das celebrações religiosas propriamente litúrgicas ou das encenadas representações
da etnografia da Natividade de Jesus em manjedoura deitado junto a Maria e José,
entre pastores, anjos, bucólicos franciscanismos de Natureza e reverentes Magos,
– Para além, de tudo isto – dizia
–, que vem entretecendo há séculos a Memória, a História, a Poética, a
Filosofia, a Teologia e a Fé no mais profundo
sentido redentor do Nascimento do Menino-Deus
“bem lembrado” (como escreveram Aquilino e Nemésio), – talvez que este Natal possa
e consiga, apesar de tudo, guardar e reflectir um pouco daquela Luz que se abriu
e manifestou como Estrela de Redenção…, – oprimida
mas resistente a Terra ao mundo iconoclasta, cruel e injusto que a cegou,
para poder ainda ser redimida e salva
dos mitos, pecados e esquecimentos do próprio Homem.
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Publicado em RTP-Açores:
Azores Digital:
http://www.azoresdigital.com/
e Jornal "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 22.12.2012).
e Jornal "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 22.12.2012).
Outra versão em "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 22.12.2012).



















