Uma exigência de Angra
ou Salomão e a Torah
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Recebi de uma amiga terceirense,
a residir em S. Miguel, uma ficcional cartinha de opinião satírico-política
destinada a várias amizades e parentelas açorianas comuns e já divulgada
publicamente no “Correio dos Açores” (CA)
de domingo passado, com um picante, compreensível e crítico espírito de cumplicidade corisca...
O assunto, opinado no “Diário Insular”
de sábado último, prende-se com um desejo ardente, que por estes quentes dias
sanjoanínicos se levantou inflamadamente bairrista, dramaticamente
reivindicando, em nome de uma arrazoada e insólita “complementaridade entre
ilhas e testemunhos” (sic), versus o
sempre temido “concentracionismo” regional (micaelense?), a vinda (ida ou regresso?)
para a ilha Terceira de uma Torah que supostamente fora da família Abohbot (durante anos
residente na cidade de Angra do Heroísmo)!
– A história é conhecida, mas –
ao que sabemos – deverá ainda vir a ser bem mais elucidada pelo Dr. José de Almeida
Mello, historiador e respeitado director da muito notável e estimável Sinagoga
de Ponta Delgada...
E mais, digo – voltando ao
assunto principal! – que tudo aquilo foi mesmo ali apontado no CA com fundamento sociológico e institucional bastante, que subscrevo
aliás, tendo sido perpetrado, novamente, como infeliz e recorrentemente
acontece, perante o silêncio (cobarde, cúmplice e demissionário?) de certas (ditas)
“elites” (?) locais, há anos e anos em lugares de medíocre, submisso ou
cabisbaixo Poder político-social e partidário, (in)acção institucional, comodismo
histórico-cultural e alienação decisória...
E é por tudo isso, finalmente
ainda, que volto a discordar hoje, à
margem de qualquer tipo de bairrismo
serôdio (incoerente, inconsequente, tardio ou em lei e letra mortas de qualquer alcance sério), daquela inusitada,
abusiva, injusta e descarada reivindicação
– apenas caprichosa (revanchista e invejosamente?) museológico-arquivística,
bem merecedora, por esse lado, de outra mais amadurecida sentença à Salomão...
– de (v)ir-se a arrecadar em Angra a famosa Torah (vulgarmente apelidada “de
Rabo de Peixe”) que está hoje, devidamente preservada e acessível, na
Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, após uma série de peripécias que,
esperemos, hão-de ser sistematicamente clarificadas e esclarecidas em breve,
para descanso de consciência e proveito autêntico, generoso e transparente de todos os competentes e habilitados estudiosos e amantes das heranças e
destinos do Judaísmo no Mundo e entre nós, e bem assim dos genuínos e verdadeiros
Amigos da nossa derradeira e honrosamente salva Sinagoga açoriana.
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(1) Cf.
aqui: http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2015/sratc/audit-sratc-rel009-2015-fs.pdf
(2) Ver As Heranças Hebraicas: http://sinaisdaescrita.blogspot.pt/2015/04/as-herancas-hebraicas-com-brilho-e.html,
e Duas Obras Admiráveis: http://sinaisdaescrita.blogspot.pt/2015/05/duas-obras-admiraveis-1.html
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Em "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 21.01.2016):












































