sábado, outubro 18, 2014


Um Falcon no Quintal?
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Crescendo justificada apreensão (4.447 mortos, mortalidade média na ordem nos 50% e milhares de infectados ainda não apurados) pela propagação exponencial do Ébola – a par dos avisos da OMS e ONU, de especialistas em Saúde Pública e de credenciados Epidemiologistas (v.g. Paul Farmer e Laurie Garrett) –, e quando a propagação viral (gravíssima em África!) começa a alastrar com o surgimento de ocorrências, erros sistémicos, contaminações e (im)previsões globais (em Portugal, ouça-se Francisco George...), o caso açoriano (para nós imediatamente relevante, comprometedor e próximo!) não poderia deixar de merecer atenção prática, acompanhamento integrado, coordenação sistemática e avaliação crítica permanente!



– Aliás, a auscultação de profissionais, decisores, estudiosos, especialistas e operacionais, directa ou indirectamente cientes desta exigente, complexa e pluridisciplinar situação, mais fundamenta e evidencia, também aqui, idêntica e proporcionada preocupação!


Assim, perante a leviandade nacional, face às potenciais vulnerabilidades que a indigitação das Lajes contém como Aeroporto (apenas e só placa?!) de passagem para emergências e operações com o Ébola; e agora – com a inadmissível menorização institucional açoriana atingindo o cúmulo da pura ficção (para não dizer temerária falsidade), de que se poderia “ter confiança no dispositivo montado [?] ao nível da Região” e cujo planeamento estaria “a decorrer em estreita articulação” com a DGS e com o SRPCBA – alegando-se até que o Arquipélago possuiria um “plano de contingência regional para casos específicos, dado que a Região tem características distintas do continente, mas integra-se do plano nacional” –, vemos que se fez um investimento de “20 mil euros em equipamento de proteção e nos casulos para transporte de doentes” (quais?), sendo todavia que logo depois se confirma que “não houve [sequer!] formação das equipas médicas” nos Açores, e que esta (pasme-se!) “É uma situação nova. Sabemos a teoria, mas não a prática” (sic)!




– Realmente, tudo neste caso é um perigoso retrocesso (médico-hospitalar, e não só), comparado, por exemplo, com o do H5N1, onde ao menos não esperávamos (em ambulância?) que um Falcon de Lisboa, chamado pelo 112, viesse aterrar no nosso quintal!
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Em "Diário Insular" (18.10.2014):




























Azores Digital:




RTP-Açores:























e "Diário dos Açores" (no prelo).



sábado, outubro 11, 2014



A Ternura e o Vigor de Assis
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Atendendo ao actual contexto (e com uma compreensível dose de bom humor...), pede-me um “irmão franciscano” – apesar, diz ele, com alguma razão, da minha “formação ser mais acentuadamente próxima e de predilecção pelos autores tomistas da Escola filosófica e teológica dos Jesuítas” (sic) –, que recupere hoje o tema de fundo da minha Crónica sobre S. Francisco que o DI publicou há uma semana, e que pelo seu carácter relativamente sucinto e sumariado “talvez valesse a pena retomar”!

É o que farei com gosto, desenvolvendo hoje um pouco mais o mesmo assunto .[Nota prévia inserta na publicação deste mesmo texto na edição do jornal "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 12 de outubro de 2014)].


1. Numa feliz coincidência de calendários litúrgicos, técnico-profissionais e societários, comemorámos no passado dia 4 de Outubro a Memória de S. Francisco, o Dia Mundial do Médico Veterinário e o Dia Mundial dos Animais – data (neste último caso) escolhida em Florença, em 1931, durante uma Convenção de Ecologistas, atendendo ao característico e universalmente consagrado “padroado” do poverello de Assis.

– E é assim que para além do profundo significado e alcance ético e deontológico (que naquele dia se relembra e devia traduzir-se nas práticas do quotidiano, no respeito ontologicamente proporcionado por todas as criaturas e eco-bio-sistemas, e identicamente no desempenho daquela especialidade biomédica), a todos se exortou e convidou à renovação (dir-se-ia propriamente trans-física e trans-especista, quando não mesmo metafísica) da sensibilidade racional e antropológica, da atenção afectuosa, da inteligência compassiva e do cuidado vital que à espécie humana cabe, de e para com todos os outros seres e forças da Vida e da Consciência que povoam e co-habitam o planeta Terra...


2. Todavia, no que a S. Francisco particular e referencialmente respeita – como se dizia no pórtico de uma bela Antologia organizada por Frei Adelino Pereira) com Testemunhos Contemporâneos das Letras Portuguesas (Lisboa, INCM, 1982)   sobre o autor dos Fioretti –, caberia logo recordar que “o Pobrezinho que deixou marcas indeléveis na história religiosa e cultural do mundo pós-medieval e especialmente na portuguesa [e também, acrescentemos aqui, de modo muito relevante, no Povoamento, na Evangelização e no Imaginário das Ilhas dos Açores]”, propôs-nos fundamentalmente uma “maneira singularíssima de ser homem e de viver a vida”, uma “forma original de estar no mundo, de pensar a existência e de valorar as coisas”, naquilo que constitui a exemplar visão franciscana da vida!


Ora verdadeiramente naquela obra – que reúne personalidades tão diferentes como Sophia e Urbano Tavares Rodrigues, Raul Rego e Amândio César, Jacinto do Prado Coelho e João Maia, Agostinho da Silva e Manuel Alegre, Agustina e Fernando Namora, Borges de Macedo e António Borges Coelho, Gama Caeiro e Vergílio Ferreira, Moreira das Neves e Miguel Torga, etc. –, não faltam eloquentes textos (e insuspeitas confissões em prosa e verso...) da presença interior, histórico-cultural, religiosa, humanística, simbólica e espiritual daquele filho do rico comerciante Bernardone, primeiro chamado João, lá desde os fins do século XII e daquela cidade de Assis, na antiga Úmbria, com “um pouco de sol da Provença, de terra lavrada pelo encanto trovadoresco, pela ternura delicada e fidalga, pela saudável e casta alegria das Cortes de Amor”.


– E foi mesmo desse modo que entre nós escreveu o filósofo Leonardo Coimbra, a par de tantos outros em múltiplos tempos e lugares, estilos e modos, na reminiscência colectiva popular e erudita, e nas narrativas e múltiplas representações de tudo quanto em Francisco, conforme dizia outro Leonardo [o teólogo Boff], confluiu e permanece de ternura e vigor e de um novo enraizamento afectivo, compassivo e cósmico: humilde e paciente (mas sem resignação perante o Mal e os males do mundo); pobre (mas não submisso face à exploração dos Pobres); resistente ao Sofrimento (mas sem dolorismos masoquistas nem cumplicidade com sadismos opressivos), e – enfim – simultaneamente amante (integrativo mas diferenciador) do varonil e do feminino (sem misoginia nem feminismos estéreis), tal como fascinantemente afinal podemos ver espelhado na pura e transfigurante relação enamorada de Francisco (1182-1226) e da sua tão dilecta Clara (1193-1253), ela própria que, quando jovem donzela, “desejava com frequência senti-lo e vê-lo”, tanto as palavras do seu amado lhe pareciam “chamas”, quanto as obras dele se lhe revelavam quase “sobre-humanas”...


De resto, como muito bem sinalizaram António Quadros e Jaime Cortesão, o Franciscanismo é efectivamente “uma das componentes da alma portuguesa”, sendo que – com Santo António de Lisboa – até houve uma original e primaveril contribuição portuguesa, “quase desde a origem, para a formação do ideal franciscano”, para além de ser a Língua Portuguesa natural e expressivamente “lírica, franciscana, repassada de ternura e piedade”.


– Infelizmente, com certeza por involuntário desconhecimento ou lamentável esquecimento, na excepcional galeria de nomes constantes da bela Antologia que atrás referi, dos Açores, dos nossos autores e das nossas paradigmáticas heranças franciscanas apenas consta um poema joaquimita de Natália Correia (“Tu que do Espírito em clara humanidade/ o núncio foste de melhor idade, / vem com teu óleo sarar as nossas feridas”...), porém (sem ir sequer aos mais antigos Cronistas, Diogo das Chagas, Monte Alverne...) ou, mais próximo, a Côrtes-Rodrigues, ainda restavam, para a contemporaneidade seleccionada, as evocações memoriais e os cânticos de Vitorino Nemésio, como este que sempre trago bem vivo, com a sua profundamente sentida poética confessional:

“Do Cristo ao Servo, irmão do lobo e da água, /Cinco fios de sangue tensos vão, / Alto Morse da mágoa, / [...] Teia de amor, será gemido ou uivo o ouvido/ Clamor da doce aceitação?”)...



3. Em todo o caso, e para o que aqui sobremaneira importa relevar – na visão radicalmente assumida da existência humana e da respectiva posteridade universal –, de Francisco de Assis ficou-nos até hoje uma impoluta e timbrada aura (ímpar, luminosa e transcendental...) projectada nos séculos, e para além deles, nas gestas e carismas do Alter Christus (e dos seus dolorosos estigmas...), tal como, embora a outro nível mas em confluente horizonte, a mesma germinou naquela alta expressão de Humanismo que a Civilização do Ocidente, através dos seus melhores espíritos, procurou apontar, assumir e amiúde incarnar como possíveis caminhos e valores alternativos para toda uma Humanidade decaída e dramaticamente perpetradora daqueles grandes crimes e pecados que desvirtuaram tantas vezes, por acção ou omissão, a Mensagem de Jesus, através de uma culpada e demencial violência religiosa, filosófico-teológica, sociopolítica, económica e psico-simbólica que explorou, sacrificou ou destruiu – mas também libertou! – vidas, consciências, classes, raças, espécies, culturas e povos inteiros em todos os continentes da Terra...).


– Talvez por isso, esperançosamente num Dia Novo, só a Graça, o Perdão e a Misericórdia do seu Senhor conseguirão – com as obras e a fé dos Homens... –, redimi-la e justamente salvar!
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Em "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 11.10.2014):



























e "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 12.10.2014):



































Os Embustes Paliativos e o Ébola
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Como é (ou devia ser!) mais do que sabido – embora se duvide cada vez mais do minimamente sistemático conhecimento e exigível empenho de facto dos nossos governantes e políticos (nacionais e regionais!) neste importante domínio da Saúde –, os Cuidados Paliativos (CP), tanto no âmbito que lhe é específico quanto no campo que lhe é próximo, conatural e confluente dos Cuidados Continuados Integrados – e apesar da sua crescente importância (humana, técnica e societária) – continuam a não merecer em Portugal qualquer tipo de incremento sério, planeado e relevante, pese embora a já abundante existência de imperativa legislação incidente (v.g. Leis de Base e diplomas, como o recente Despacho n.º 10429/2014, rectificado pela Declaração 848/2014 de 12 de Agosto, do Gabinete do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, publicado no “Diário da República”, 2.ª série, N.º 154, de 12 de Agosto último)... 


– E isto para além de muitos outros documentos indicativos, regulamentações, “guidelines”, estudos, relatórios, memorandos e recomendações de todo o género, e de uma já repugnante panóplia nominalista, rotineira, preguiçosa, proteladora e empapelada que, à mistura com indisfarçáveis olhares esquivos, retóricas e farsas para injecção semi-gaga de propaganda anestesiante e paleio tosco em doses maciças e seringa fina, que não tem ido além de meras prosas de intenção programática, cuja implementação competente, responsável e credível não passou ainda para fora dos esconsos limbos do adiamento, da inoperância, da incapacidade e da mais miserável, superiormente acobertada e impune simulação político-governamental, político-partidária e parlamentar!


Depois, como se não bastasse toda essa enfermaria de descuidos e desleixes recorrentes e persistentes – para desencanto, revolta, descrença, desmotivação, sofrimentos e agonias de vida e de morte por parte de doentes, famílias, prestadores de cuidados domiciliários, hospitalares e institucionalizados – temos cada vez mais evidentes alertas e descontentamentos dos especialistas, cientistas sociais e estudiosos nestas áreas socio-médicas, a par, naturalmente, dos profissionais de saúde e da assistência social, de autarcas, dirigentes associativos, animadores comunitários, IPSS, etc., etc.


– E sem entrarmos, por enquanto e novamente, aqui, no vergonhoso e intolerável caso particular dos Açores (zero equipas estruturadas, integradas e devidamente reconhecidas!), basta dizer que das cerca de (pelo menos) 110 equipas de Cuidados Paliativos necessárias, apenas existem (no máximo) 11, em todo o País!


De facto, embuste idêntico só agora, por estes dias dramáticos, nas perigosas patranhas, mentiras tácticas e criminosas leviandades que tem sido irresponsavelmente afiançadas (e regionalmente consentidas e silenciadas!) sobre o Ébola! 

– Mas isto fica já aprazado para tratamento (não paliativo!) noutra Crónica...
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Em Azores Digital:






















RTP-Açores:

























“Diário Insular” (Angra do Heroísmo, 11.10.2014):



























e “Diário dos Açores” (Ponta Delgada, 12.10.2014):



domingo, outubro 05, 2014



Origem e Destinos do CDS-PP
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1. Está o CDS-PP comemorando o seu 40.º Aniversário com uma série de iniciativas nacionais e locais, tendo cabido há uma semana a vez aos Açores. Na altura em que escrevi uma primeira versão abreviada deste texto, cumpria-se agenda da visita do seu actual presidente nacional (Paulo Portas) à ilha Terceira (Angra do Heroísmo), durante a qual tiveram lugar visitas de trabalho e reuniões, para além de uma Sessão Solene onde foram homenageados os primeiros dirigentes eleitos em congressos regionais do partido, e bem assim os seus ex-presidentes Rui Meireles, José António Monjardino e Alvarino Pinheiro. 


2. Fundado em 19.07.1974 por um referencial grupo de personalidades situadas numa área que abrangia democratas-cristãos, conservadores e liberais (v.g. Freitas do Amaral, Amaro da Costa, Basílio Horta, Sá Machado e Xavier Pintado), a instâncias de diversos membros das Forças Armadas (nomeadamente de Almeida Bruno, um heróico combatente da guerra na Guiné e chefe da casa militar de Spínola), o CDS foi tendo crescente, conquanto não linear, importância na vida político-partidária, parlamentar e governativa portuguesa, aliás marcada pela evolução (e também pela regressão...) da Democracia, pelas trajectórias e dinâmicas conjugadas dos partidos, movimentos e restantes corpos sociais, a par dos seus sucessivos percursos estratégicos, reconfigurações identitárias e estilos de liderança (Freitas do Amaral, Lucas Pires, Adriano Moreira, Manuel Monteiro, Ribeiro e Castro, e Paulo Portas).


Como podemos reler no seu próprio livro O Antigo Regime e a Revolução: Memórias Políticas (1941-1975), Freitas do Amaral – cujo pai tinha sido secretário de Salazar e deputado da União Nacional (UN) e da ANP (Acção Nacional Popular) entre 1957 e 74 – era na altura no 25 de Abril um jovem professor de Direito (tendo aliás depois sucedido a Marcello Caetano em cujo reformismo acreditara e a quem pessoalmente fora leal), após ter sido membro da Câmara Corporativa, embora tenha sempre recusado aderir àquelas organizações do Estado Novo, tal como não aceitara o cargo de ministro da Justiça em 1973.


– Porém, na criação deste partido, como é sabido, a par de Diogo Freitas do Amaral coube a Adelino Amaro da Costa desempenhar um papel nuclear na orientação ideológica e estratégica do CDS, dando-lhe, embora em diferentes medidas e tonalidades, tal como consta do seu primeiro Programa, uma original feição “centrista” e democrata-cristã, defensora de «uma sociedade mais justa onde as pessoas possam ser tratadas em pé de igualdade, sem discriminações, nem privilégios», reclamando-se mesmo de inspirações recolhidas do notável “humanismo personalista” de Mounier – identicamente também partilhadas por largas faixas do então também recém-criado PPD (06.05.1974) de Francisco Sá Carneiro – e em parte significativa decorrentes da excepcional e talentosa influência teórico-prática do próprio Amaro da Costa (membro do Opus Dei).




 3. Nos Açores, nos últimos tempos tendo de certo modo elegido a Saúde, a Educação e os Transportes como áreas preferenciais das suas atenções e das suas intervenções político-parlamentares regionais, de ilha e autárquicas, apesar de uma evidente e tendencial quebra eleitoral, com oscilações de implantação estável no todo do arquipélago (especialmente em S. Miguel, mas ainda em alguns dos seus tradicionais “bastiões” concelhios e de freguesia), o CDS-PP nos Açores continua ainda marcar pontualmente, conforme pode e sabe, certas agendas e debates importantes.

– E isto apesar de um notório decaimento da sua dinâmica de participação e reflexão conjuntas a nível interno, e do trânsito, em fuga interesseira e carreirista, ou de mero deslocamento (v.g. para as hostes “socialistas” do PS!) oportunista, de descarados trânsfugas inter-partidários (fauna infelizmente residente em quase todos, muitos, clientelismos de partido e seus aparelhos, domínios, serventias e proventos, alguns deles efémeros e desonrosos, é certo, conquanto conjunturalmente lucrativos enquanto duram, para mal de todos e descrédito ético e axiológico da Democracia e da Autonomia...


Todavia, nas ilhas açorianas e nesta Região Autónoma, é justo lembrar e assim aqui se pretende avivar acima de tudo – nesta incentivadora passagem do 40.º Aniversário da sua fundação – todos os empenhos e trabalhos regionais dos centristas e democratas-cristãos, desde aquele Memorando (30.12.1975) de contra-posição crítica ao Ante-projecto de Estatuto Político-Administrativo elaborado pela Junta Regional, e logo depois, desde as pioneiras Legislaturas (1976-80, 80-84 e 84-88), então com destaque e méritos para Rogério Contente, Fernando Monteiro, Rui Meireles e Alvarino Pinheiro (deputado este entre 1984 e 2006, e grande e incansável impulsionador do relançamento, consolidação eleitoral e credibilização político-institucional do CDS-PP no Arquipélago) –, até hoje, que este partido, agora dirigido por Artur Lima – concorde-se ou não com os seus ideários e práticas ao longo destes anos –, tem um passado balanceado de consideráveis contributos positivos para a construção e defesa da Autonomia e para o prestígio das instituições insulares, a todos os níveis da nossa vida colectiva!


 – Como se disse antes (e nunca será de mais repetir...), oxalá assim fosse sempre sobremaneira evocado e merecidamente reconhecido, talvez desse modo evitando-se algumas detectáveis descoordenações e outros menosprezos de atendimento ou deslizes de gestão política real e simbólica que, mais dia menos dia, cairão afinal (como noutros quadrantes partidários identicamente acontece!) em cima das costas (eleitorais, político-partidárias, profissionais, pessoais e familiares) de tantos dedicados dirigentes e militantes que convicta e esforçadamente permanecem no terreno, lutando, contra ventos e marés, por aquilo em que acreditam ser o melhor para a sua terra, porém bastas vezes em troca de nenhum ganho particular, quando não até penalizados por revanchismos, olhares displicentes, ouvidos moucos e históricas ingratidões, na Região e no País, entre os seus próprios camaradas, amigos e companheiros, só aparentemente fiéis aos ideais de origem e raramente solidários face aos desafios do destino...
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Em "Diário Insular" (05.10.2014):



sábado, outubro 04, 2014


Os Valores Franciscanos
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Numa bem simbólica e feliz coincidência de calendários litúrgicos, técnico-profissionais e societários, comemoramos hoje, sábado, dia 4 de Outubro, a Memória de S. Francisco, o Dia Mundial do Médico Veterinário e o Dia Mundial dos Animais – data (neste último caso) escolhida em Florença, em 1931, durante uma Convenção de Ecologistas, atendendo ao característico e universalmente consagrado “padroado” do poverello de Assis.


– E é assim que para além do profundo significado e alcance ético e deontológico (que nesse mesmo dia se relembra e deve fazer evocar e traduzir nas práticas do quotidiano eco-sistémico e no desempenho daquela nobre especialidade biomédica), a todos se exorta e convida à renovação (dir-se-ia propriamente trans-física e trans-especista, quando não mesmo metafísica...) da sensibilidade racional e antropológica, da atenção afectuosa, da inteligência compassiva e do cuidado vital que à espécie humana cabe, de e com todos os outros seres e forças da Vida e da Consciência que povoam e co-habitam o planeta Terra...


Todavia, no que a S. Francisco particular e referencialmente respeita – como se dizia no pórtico de uma bela Antologia (organizada por Frei Adelino Pereira) com Testemunhos Contemporâneos das Letras Portuguesas (1182-1982) sobre o autor dos Fioretti –, “o Pobrezinho que deixou marcas indeléveis na história religiosa e cultural do mundo pós-medieval e especialmente na portuguesa [e também, acrescentemos aqui, de modo muito relevante, no Povoamento, na Evangelização e no Imaginário das Ilhas dos Açores]”, legou-nos uma “maneira singularíssima de ser homem e de viver a vida”, uma “forma original de estar no mundo, de pensar a existência e de valorar as coisas”, naquilo que constitui a exemplar visão franciscana da vida, desde sempre timbrada por uma aura ímpar, luminosa e empática que se projecta ainda, e para além das gestas e carismas religiosos do Alter Christus (e dos seus dolorosos estigmas...), naquela mais alta expressão de Humanismo que a Civilização do Ocidente, a par e acima dos grandes pecados e da sua demencial violência, legou a uma Humanidade que talvez só a Graça e a Misericórdia do seu Senhor poderão (com as obras e a fé dos Homens...) remir e justamente salvar! 
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Em Azores Digital:























RTP-Açores:
























e “Diário Insular” (Angra do Heroísmo, 04.10.2014):


domingo, setembro 28, 2014


Origem e Percursos do CDS


1. Está o CDS-PP comemorando o seu 40.º Aniversário com uma série de iniciativas, cabendo agora a vez aos Açores. Na altura em que escrevo, é conhecida a agenda do seu actual presidente nacional (Paulo Portas) à ilha Terceira (Angra do Heroísmo), durante a qual teriam lugar visitas de trabalho e reuniões, para além de uma Sessão Solene onde serão homenageados os primeiros dirigentes eleitos em congressos regionais do partido, e bem assim os ex-presidentes Rui Meireles, José António Monjardino e Alvarino Pinheiro.


2. Fundado em 19.07.1974 por um referencial grupo de personalidades situadas numa área que abrangia democratas-cristãos, conservadores e liberais (v.g. Freitas do Amaral, Amaro da Costa, Basílio Horta, Sá Machado e Xavier Pintado), a instâncias de diversos membros das Forças Armadas (nomeadamente de Almeida Bruno, um heróico combatente da guerra na Guiné e chefe da casa militar de Spínola), o CDS foi tendo crescente, conquanto não linear, importância na vida político-partidária, parlamentar e governativa portuguesa, aliás marcada pela evolução (e pela regressão...) da Democracia, pelas trajectórias e dinâmicas conjugadas dos partidos, movimentos e restantes corpos sociais, a par dos seus sucessivos trajectos estratégicos, reconfigurações identitárias e estilos de liderança (Freitas do Amaral, Lucas Pires, Adriano Moreira, Manuel Monteiro, Ribeiro e Castro, e Paulo Portas).


Como podemos reler no seu próprio livro O Antigo Regime e a Revolução: Memórias Políticas (1941-1975), Freitas do Amaral – cujo pai tinha sido secretário de Salazar e deputado da União Nacional (UN) e da ANP (Acção Nacional Popular) entre 1957 e 74 – era na altura no 25 de Abril um jovem professor de Direito (tendo aliás depois sucedido a Marcello Caetano em cujo reformismo acreditara e a quem pessoalmente fora leal), após ter sido membro da Câmara Corporativa, embora tenha sempre recusado aderir àquelas organizações do Estado Novo, tal como não aceitara o cargo de ministro da Justiça em 1973.


– Porém, na criação deste partido, como é sabido, a par de Diogo Freitas do Amaral coube a Adelino Amaro da Costa desempenhar um papel nuclear na orientação ideológica e estratégica do CDS, dando-lhe, embora em diferentes medidas e tonalidades, tal como consta do seu primeiro Programa, uma original feição “centrista” e democrata-cristã, defensora de «uma sociedade mais justa onde as pessoas possam ser tratadas em pé de igualdade, sem discriminações, nem privilégios», reclamando-se mesmo da notável inspiração recolhida do “humanismo personalista” de Mounier, identicamente também partilhado por largas faixas do então também recém-criado PPD (06.05.1974) de Francisco Sá Carneiro, e em parte significativa decorrente da excepcional e talentosa influência teórico-prática do próprio Amaro da Costa (membro do Opus Dei).


3. Nos Açores, nos últimos tempos tendo de certo modo elegido a Saúde, a Educação e os Transportes como áreas preferenciais das suas atenções e das suas intervenções político-parlamentares, apesar de uma evidente e tendencial quebra eleitoral a nível regional, com muitas oscilações de implantação estável no todo do arquipélago (especialmente em S. Miguel, mas ainda em alguns dos seus tradicionais “bastiões” de ilha e de concelho), o CDS-PP continua ainda marcar pontual e esforçadamente, conforme pode e sabe, certas agendas e debates importantes.

– E isto apesar de um notório decaimento da sua dinâmica de participação e reflexão conjuntas a nível interno, e do trânsito, em fuga interesseira e carreirista, ou de mero deslocamento (v.g. para as hostes “socialistas” do PS!) oportunista, de descarados trânsfugas inter-partidários (fauna infelizmente residente em quase todos, muitos, clientelismos de partido e seus aparelhos, domínios, serventias e proventos, alguns deles efémeros e desonrosos, é certo, conquanto conjunturalmente lucrativos enquanto duram, para mal de todos e descrédito ético e axiológico da Democracia e da Autonomia...


 Todavia, nas ilhas açorianas e nesta Região Autónoma, é justo lembrar e assim aqui se pretende avivar acima de tudo – nesta incentivadora passagem do 40.º Aniversário da sua fundação – todos os empenhos e trabalhos regionais dos centristas e democratas-cristãos, desde aquele Memorando (30.12.1975) de contra-posição crítica ao Ante-projecto de Estatuto Político-Administrativo elaborado pela Junta Regional, e logo depois, desde as pioneiras Legislaturas (1976-80, 80-84 e 84-88), então com destaque e méritos para Rogério Contente, Fernando Monteiro, Rui Meireles e Alvarino Pinheiro (deputado entre 1984 e 2006, e o grande e incansável impulsionador do relançamento, consolidação eleitoral e credibilização político-institucional do CDS-PP no Arquipélago) –, até hoje, que este partido, agora dirigido por Artur Lima, concorde-se ou não com os seus ideários e práticas ao longo destes anos, tem um passado balanceado de consideráveis contributos positivos para a construção e defesa da Autonomia e para o prestígio das instituições insulares, a todos os níveis da nossa vida colectiva nesta terra!

– Oxalá assim fosse sempre sobremaneira evocado e merecidamente reconhecido por todos, na Região e no País...
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Em "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 30.09.2014).

sexta-feira, setembro 26, 2014


Os 40 Anos do CDS-PP
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Está o CDS-PP comemorando o seu 40.º Aniversário com uma série de iniciativas, cabendo agora a vez aos Açores. Na altura em que escrevo, é conhecida a agenda do seu actual presidente nacional (Paulo Portas) à Terceira, durante a qual tiveram lugar visitas de trabalho e reuniões, para além de uma Sessão Solene onde serão homenageados os primeiros dirigentes eleitos em congressos regionais do partido, e bem assim os ex-presidentes Rui Meireles, José António Monjardino e Alvarino Pinheiro.


– Fundado em 19.07.1974 por um referencial grupo de personalidades situadas numa área que abrangia democratas-cristãos, conservadores e liberais (v.g. Freitas do Amaral, Amaro da Costa, Basílio Horta, Sá Machado e Xavier Pintado), o CDS foi tendo crescente, conquanto não linear, importância na vida político-partidária, parlamentar e governativa portuguesa, aliás marcada pela evolução (e pela regressão...) da Democracia, pelas trajectórias e dinâmicas conjugadas dos partidos, movimentos e restantes corpos sociais, a par dos seus sucessivos trajectos estratégicos, reconfigurações identitárias e estilos de liderança (Freitas do Amaral, Lucas Pires, Adriano Moreira, Manuel Monteiro, Ribeiro e Castro, e Paulo Portas).


Nos Açores também – é justo lembrar hoje –, desde aquele Memorando (30.12.1975) de contra-posição crítica ao Ante-projecto de Estatuto Político-Administrativo elaborado pela Junta Regional, e logo depois, desde as pioneiras Legislaturas (1976-80, 80-84 e 84-88), então com destaque e méritos para Rogério Contente, Fernando Monteiro, Rui Meireles e Alvarino Pinheiro (deputado entre 1984 e 2006, e o grande e incansável impulsionador do relançamento, consolidação eleitoral e credibilização político-institucional do CDS-PP no Arquipélago) –, até hoje, este partido, agora dirigido por Artur Lima, concorde-se ou não com os seus ideários e práticas ao longo destes anos, tem uma história de consideráveis contributos para a construção e defesa da Autonomia e para o prestígio das instituições insulares, a todos os níveis da nossa vida colectiva!

– Oxalá assim fosse sempre evocado e merecidamente reconhecido por todos, na Região e no País... 
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Em Diário Insular" (27.09.2014);