segunda-feira, dezembro 15, 2014



As Rotas e os Ares do Poço
__________________________________________________________


O título desta Crónica bem que poderia ter sido uma paráfrase da expressão que acabou por constar na formulação dos assuntos visados – embora mais pensados a propósito dos poços de ar que vem perturbando as rotas e rotos planos de voo da política aérea e da aérea política nos Açores (novamente geminados com as velhas e exauridas asinhas do mesmo ou idêntico distintivo recorrentemente encenado como promissor e prometeico projecto histórico-político regional)...


 – Todavia, na opção pelo uso desta frase alternativa, melhor se dirá dos ludibriantes ventos enrolados em tão lamacento e conspurcado pélago, como na passada quinta-feira bem evidente terá ficado aos olhos de quantos presenciaram o Debate na RTP-A sobre tão enevoada problemática, desde as miraculosas e ficcionais mais-valias (supostamente capitalizadas por conta de fabulosas campanhas turístico-promocionais, até uma série de confusos ou pouco clarificados esquemas de portas e saídas, plataformas giratórias, encaminhamentos de tráfego, etc., etc., passando por sub-reptícias retóricas que mal conseguiram disfarçar a entrega da política açoriana (e não só...) de transportes e de turismo a uma espécie de dura e pura luta (concorrencial) pela captação de quotas de mercado específico e respectivos fluxos, aonde os parceiros ou os concorrentes mais frágeis (e vá lá, enfim, também os mais inaptos, preguiçosos e menos empreendedores, por menoridade e culpa própria, quando não igualmente por mera ingenuidade ou capitulação de argumentos e recursos, correm o risco de serem passados de capote, ficando pouco mais que a ver os aviões e os navios passarem ao largo ou por cima das suas tontas e parasitárias cabecinhas de vento!



Mas vem isto também a propósito de tudo o que temos visto dito abertamente, ou implicitamente escrito (quando não sussurrado ou tacitamente subscrito) na precisa altura em que a ditosa TAP (de modo manobrista, oportunista e socialmente repugnante!) confirmava ir perpetrar uma greve de vários dias em cima da época de Natal, com uma ensaiada cantilena político-sindical, supostamente patriótico-administrativa e financeira, dita “contra a privatização” da empresa e em articulação menos espaventosa com invocadas razões de algum “não cumprimento” de um misérrimo ou miserabilista caderno de encargos laborais, certamente muito penalizadores tanto para as suas perfumadas, elegantes e gentis tripulações e demais serviços de cabine como para os restantes sectores dessa tão lucrativa companhia de bandeira lusa, à qual, como é sabido, todo o País e ainda mais os Açores e as nossas Comunidades devem imensa esmolas e graças e horários e tarifas e parcerias e transparências e serviços em terra e no ar só equivalentes àqueles que os abertos céus e as bolsas das ilhas (e as contribuições e contra-favores dos governos e dos orçamentos de cá e de lá) lhes tem generosamente concedido... E falamos apenas da TAP, deixando para melhor ajuste o caso da nossa SATA...


– Contudo temos bem presente ainda todo o vasto historial relativo a esta vetusta demanda de um funcional, justo e racional acerto nas ligações aéreas e marítimas entre os Açores e o exterior, e vice-versa, e igualmente assim das mesmas comunicações inter-ilhas, sem escamotear tudo o que desde há décadas (pelo menos desde meados do século passado, para não ir mais atrás) sobre este momentoso assunto se tem planeado e subtraído ao Planeamento insular, desde os famosos Planos de Fomento até ao Relatório SARC, às congeminações sobre Santa Maria (aeroporto internacional e Zona Franca...), etc. etc., a par das teorias sobre as locomotivas do progresso e quejandos encaroçamentos para os almejados desenvolvimentos, progressos e crescimentos económicos açorianos (já nem sequer harmoniosos, conceito assaz dúbio, quanto ao menos complementares, integrados e mutuamente sustentados, como devem ou deveriam ser sempre!). Mas não é isso, infelizmente, o que vemos tornar a acontecer nesta fogueira bem soprada de vários quadrantes; antes pelo contrário...

De facto, aquilo a que vamos assistindo é, outra vez, o exactamente equivalente ao que já nestas colunas referimos como sendo uma inusitada – conquanto não inédita nem surpreendente, nem sequer imprevisível... – onda de disfarçado e serôdio bairrismo (tomado o conceito e sua tradução prática no pior sentido).


 – Todavia, a par desse escorregadio e viciosamente escamoteado terreno ilhéu – que já há muito excedeu os inocentes remoques com os quais outrora, como ironizava Vitorino Nemésio, “entretínhamos a nossa concorrência humaníssima nos penhascos”... –, também não tem faltado, nos diversos e antagónicos flancos desta envenenada contenda, tanto razões fundamentadas quanto meras sensibilidades epidérmicas (muitas delas de pouco servindo a não ser para iludir o fundo da questão deste imbróglio e lastimável refrega com arreigados afãs de (des)conversa e (des)compromisso em todos os lados da barricada, quando o que interessa verdadeiramente aos Açores e aos Açorianos de todas as ilhas é perspectivar e assegurar o futuro, com profunda reflexão sobre o modelo de Desenvolvimento que precisamos, com racionalidade, rigoroso planeamento, justiça, equidade, diálogo e solidariedade, sem complexos de hegemonia ou de inferioridade (perante os quais, no circunscrito alforge de recursos que temos, do Corvo a Santa Maria, não haverá unidade de espírito açoriano nem economia de matérias e meios que resistam à acefalia sistémica e à gananciosa irresponsabilidade geracional que estão aniquilando uma Autonomia tão esperançosa, histórica e esforçadamente conquistada!).


E depois, no meio de tudo isto, ainda temos agora, em toda a linha, esse irresponsável esfacelamento material e simbólico da TAP com leituras da sua parasitária agonia (ou da sua eutanásia empresarial?) que parecem ignorar deliberadamente o que está clarinho no texto do Memorando de Entendimento com que o Estado Português (e não apenas os Partidos do famigerado e dito “arco da governação” que aceitaram subscrevê-lo ou apoiá-lo!?) se comprometeu em Maio de 2011...

– Quanto ao resto, cá na Terceira, desde há muito, como se disse, com destaque para o “Diário Insular” (a par de “A União”, do Rádio Clube de Angra, do “Jornal da Praia” e do “Directo”, antigamente...), ambos os temas hoje em vista tinham sido enfrentados, amiúde com frontalidade, porém bastas vezes, como agora, perante cumplicidades e cobardias de tantas outras vozes políticas e sociais terceirenses já reduzidas a simples ecos de um estagnado e vagamente marialva poço sem fundo nem tino consistente, que afinal a todos os Açorianos envergonha e prejudica, apesar de bastas vezes traduzir até a unicamente merecida paga pela total ausência de consciência e de horizontes de futuro (e até de passado!) a que parecemos de novo condenados por aqui!
______________

Em "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 16.12.2014):



























e "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 19.12.2014):

sábado, dezembro 13, 2014


Os Ares do Poço
________________________


O título desta Crónica bem que poderia ter sido uma paráfrase da expressão que acabou por constar na formulação deste e dos assuntos visados – embora mais pensados a propósito dos poços de ar que vem perturbando as rotas e rotos planos de voo da política aérea e da aérea política nos Açores (novamente geminados com as velhas e exauridas asinhas do mesmo ou idêntico rasteiro distintivo recorrentemente encenado como promissor e prometeico projecto histórico-político regional)...


 – Todavia, na opção pelo uso desta frase alternativa, melhor se dirá dos ludibriantes ventos enrolados em tão lamacento e conspurcado pélago, como na passada quinta-feira bem evidente terá ficado aos olhos de quantos presenciaram o Debate na RTP-A sobre tão enevoada problemática!



Mas vem isto também a propósito de tudo o que temos visto dito abertamente, ou implicitamente escrito (quando não sussurrado ou tacitamente subscrito) nos OCS e nas Redes Sociais, na precisa altura em que a ditosa TAP (de modo manobrista, velhaco, oportunista e socialmente repugnante!) confirmava ir perpetrar greve de vários dias em cima da época de Natal, com uma ensaiada cantilena político-sindical e supostamente patriótico-administrativa e financeira, dita “contra a privatização” da empresa e sob invocadas razões de algum “não cumprimento” de um misérrimo ou miserabilista caderno de encargos laborais, certamente muito penalizadores tanto para as suas perfumadas, elegantes e gentis tripulações e demais serviços de cabine, como para os restantes sectores de tão lucrativa companhia de bandeira lusa, à qual, como é sabido, todo o país e ainda mais os Açores devem favores e graças e horários e tarifas e parcerias e transparências só equivalentes àqueles que os abertos céus e as bolsas das ilhas (e os favores e contra-favores dos governos e dos orçamentos de cá e de lá) lhes tem generosamente concedido...
  
– Felizmente, desde há décadas, com destaque para o jornal “Diário Insular” (a par de “A União”, do Rádio Clube de Angra, do “Jornal da Praia” e do “Directo”...), ambos os temas tem sido enfrentados com frontalidade, perante cumplicidades e cobardias de tantas outras vozes políticas e sociais terceirenses já reduzidas a simples ecos de um estagnado poço sem fundo, que afinal a todos os Açorianos envergonha e prejudica, apesar de às vezes traduzir mesmo a merecida paga pela total ausência de consciência e de horizontes de futuro (e até de passado!) a que parecemos de novo condenados.
_______________
Em Azores Digital:



















"Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 13.12.2014):




























e RTP-Açores:
http://tv2.rtp.pt/acores/index.php?article=38569&visual=9&layout=17&tm=41:




domingo, dezembro 07, 2014


Evocações de Mário Soares





Publicada pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates, a obra Um Político Assume-se, da autoria de Mário Soares, tem constituído motivo de grande procura e interesse, certamente tanto pela projeção e carisma do seu Autor, quanto pelo que de histórico-politicamente apelativo contém ao subintitular-se “ensaio autobiográfico, político e ideológico”.




Sem ser, como o seu narrador justifica, um livro de memórias, esta mais recente publicação de Mário Soares, no seguimento do seu penúltimo Elogio da Política, é assim, antes e propriamente um testemunho – uma particular leitura, pessoalmente timbrada e focalizada – do seu itinerário, da sua confluente evolução de vida (“que comportou ruturas, dúvidas, hesitações”) e do seu acompanhamento intenso de “quase todo o contraditório e complexo século XX e este começo incerto e tão problemático do atual”.



– Depois, nessa linha, Um Político Assume-se pretende ainda exercer uma reflexão sobre um “longo e conturbado caminho, com altos e baixos, acertos e desacertos, vitórias e derrotas, ao serviço do Povo Português”, através de “uma espécie de autobiografia política e ideológica, orientada por valores humanistas e princípios éticos e políticos”, que o nosso ex-presidente da República avoca nunca ter abandonado e a cuja despistagem, em conformidade diacrónica, procede, desde juvenis militâncias comunistas até aos seus cimentados posicionamentos como “socialista democrático, europeísta, anticolonialista e sempre pacifista, e amigo da Liberdade, dos Direitos Humanos e do Progresso”.



Nestas evocações de Mário Soares há também sintomáticas e curiosas referências aos Açores: uma, precisamente por ocasião da famosa “guerra das bandeiras” e da receção que lhe fizeram no aeroporto os então membros (“todos ostensivamente de gravata preta, como se estivessem de luto”) do governo de Mota Amaral (“um habilíssimo político e um homem culto, [que] compreendeu o patriotismo dos açorianos”); a outra, a propósito da sua Presidência Aberta (1989) e da consagração da expressão autonomia tranquila como sucedânea, dita sensata, da “autonomia progressiva”…



– Deste livro ressaltam todavia, como já foi salientado, não só as notáveis intuições políticas, históricas, culturais e civilizacionais de Mário Soares quanto a proverbial bonomia crítica, orbícola e humana que o caracterizam, naquela única mescla de romantismo utópico e de pragmatismo, coragem democrática e aventureirismo resistente e antitotalitário de socialista patriótico (a quem Portugal, apesar de tudo, deve muito mais do que às vezes se imagina), e que – sempre “sujeito às circunstâncias do lugar e do tempo” e, como todas as pessoas, com “as suas qualidades e defeitos” – ainda o fazem incarnar (talvez só em parceria com Adriano Moreira e, embora em registos diferentes, com o saudoso Francisco Sá Carneiro e com Álvaro Cunhal) – no meio da confrangedora mediania, quando não penalizadora mediocridade ou incoerência do restante espectro político-institucional reinante nas últimas e atuais lideranças do Poder real e simbólico nacional e europeu –, muito do melhor que o nosso País teve, tem ou poderia ter tido em fortuna ou destino históricos autenticamente conseguidos após a Revolução de Abril, – fossem, ou tivessem sido, também assumidamente outros os Portugueses do século XX e da presente década, em inteligência, coração, merecimento, integridade e sorte!



_______________

Originalmente publicado em:
 "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 03.03.2012);
"Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 04.03.2012);
 e RTP-Açores:
                http://tv2.rtp.pt/acores/index.php?headline=14&visual=10


sexta-feira, dezembro 05, 2014



Um Tratado sobre a Corrupção


O tema é actual, deveras importante e tem sido abordado de múltiplas perspectivas, nomeadamente no campo económico-financeiro, jurídico, judiciário, filosófico e sociológico, para além de ter vindo a granjear uma cada vez maior, significativa, natural e crescente atenção e presença em todos os OCS e Redes Sociais, atravessando – e higienizando ou minando – também (por entre transparências, denúncias, oclusões, cumplicidades e coberturas...) todas as instituições, sociedades e Estados, desde os mais democráticos, desenvolvidos e de Direito aos mais totalitários, subdesenvolvidos e párias (ou já em equivalentes processos irreversíveis de decadência histórico-civilizacional e de apodrecimento moral dos seus sistemas, órgãos e actores, numa geminada globalização de agiotagens, lucros e enriquecimentos ilícitos, tráfico de poder e influência, branqueamento de capitais, empresariados falsários, compadrios partidários e toda uma abjecta e sofisticada tipologia de fugas à lei, banditismo fiscal e aduaneiro, burla qualificada, peculato, exploração de dependências e prostituição de carácter, etc., etc.)!

Todavia e apesar de constituir uma realidade sobremaneira complexa, movediça e plurifacetada – enquanto problema psicossocial, ético-político e até religioso (afinal na integrante abrangência reticular e mafiosa de variadíssimos agentes, factores, interesses e fenómenos corruptivos e criminais) – mesmo assim, em Portugal, a Corrupção tem vindo a ser encarada (e pontualmente enfrentada!) de forma um pouco mais séria, firme e potenciadora de uma outra e renovada aplicação da Justiça e da Lei.


– Ora é igualmente neste horizonte de acontecimentos, factos e valores que merece integral leitura a reflexão proposta em 1991, retomada em 2005 e agora publicada entre nós num precioso livrinho (um verdadeiro Tratado sobre a Corrupção) do Cardeal Jorge Bergoglio, onde o actual Papa retoma uma sucinta mas notabilíssima abordagem do fenómeno (mais do que pecaminoso!) da Corrupção, articulando-o com uma profunda análise do perfil psico-comportamental, impudico, leviano, auto-justificativo e caudilhista do homem corrupto...

Talvez por tudo isto nenhuma outra obra seja, nestes dias de proselitismo, triunfalismo e desfaçatez, tão inspiradora como esta, situando-nos na verdade das coisas e remexendo folhas secas, “porque a debilidade humana, unida à cumplicidade, cria o húmus propício à corrupção”!


Na verdade, tal como escreve Paulo Morais na “Nota Introdutória” a este livro (Corrupção e Pecado, seguido de Sobre a Acusação de Si Mesmo, Tradução de Inês Espada Vieira, Lisboa, Gradiva, 2014), todas as leituras sobre a Corrupção, que podem fundir-se “no valor da pessoa humana e da justiça” não podem deixar de “ver neste fenómeno uma dolorosa ferida das sociedades contemporâneas”, sobre ela motivando “uma condenação sem tréguas deste problema que radica na doença do coração de quem se deixou corromper”.

– Porém, como retoma o Papa Francisco, “quão difícil é que o vigor profético abra um coração corrupto! Está tão fechado na satisfação da sua autossuficiência que não permite nenhum questionamento. (...) O corrupto construiu uma auto-estima baseada precisamente neste tipo de atitudes manhosas, caminha pela vida pelos atalhos do oportunismo, pelo preço da sua própria dignidade e da dos demais. (...) E o pior é que acaba por acreditar nisso tudo. (...) Uma das características do corrupto face à profecia é um certo complexo de inquestionabilidade. Reage mal perante qualquer crítica, desclassifica a pessoa ou a instituição que a faz, procura decapitar toda a autoridade moral que o possa pôr em causa, recorre ao sofisma e ao equilibrismo nominalista-ideológico para se justificar, desvaloriza os demais e atira insultos àqueles que pensam de maneira diferente”.


E nesta linha de entendimento teológico, filosófico, psicológico e ético, concluía o Cardeal Bergoglio, num juízo que tem plena vigência e talvez uma insuspeitada aplicação concreta ao nosso quotidiano visível e vivido:

– “No corrupto existe uma deficiência básica, que começa por ser inconsciente e é imediatamente assumida como o mais natural. A suficiência humana nunca é abstracta (...). Daqui também decorre que dificilmente o corrupto sai do seu estado por remorsos internos. Tem o bom espírito dessa área anestesiado”...
_______________

Em "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 06.12.2014):



























Azores Digital:























e RTP-Açores:




















Primeira versão em "Diário Insular",
Angra do Heroísmo, 06.12.2014:




terça-feira, novembro 25, 2014


Uma Relevante Audição
___________________________________________________________



A Audição Aberta proposta e convocada pelo PSD, CDS-PP, PPM e BE no sentido de ser ouvido o antigo secretário regional Fagundes Duarte, e que teve lugar no dia 21 de Novembro em Angra do Heroísmo, com presenças pessoais e participações directas ou através de vídeo-conferência, constituiu, a todos os níveis e pontos de vista, um acontecimento inédito e marcante nos Açores, tanto pelo processo que a gerou quanto pelo conteúdo dos relevantes temas que ali estavam (e permanecem!) em causa e que foram efectivamente discutidos e clarificados de modo adequado, proporcionado e até potenciador de esperados e subsequentes desenvolvimentos, alcances e consequências político-partidárias, institucionais e cívicas...


– Deixando para posterior ocasião uma análise detalhada de quanto ali ocorreu – e do qual não deixarão certamente de dar conta nos próximos dias os OCS e as Redes Sociais –, queremos apenas nesta ocasião salientar o especial significado:

1) Da persistência democrática e lisura com que o PSD (através em primeiro lugar do deputado António Ventura) sempre deu provas em todo este intrincado imbróglio, no que aliás foi devidamente acompanhado pelos restantes partidos da Oposição (com a lamentável e inadmissível excepção do PCP), que não hesitaram em criar uma frente susceptível de fomentar novos espaços de participação, discussão e intervenção públicas, gerando mecanismos criadores de maior transparência de meios e fins nos tantas vezes obscuros meandros da administração e da vida regional;

2) da coragem e firmeza de que deu mostras Luiz Fagundes Duarte, mantendo a palavra dada e fornecendo, com legitimidade ética e independência de vontade, toda uma série de elementos que, desde o princípio aliás, deveriam ter sido levados em conta no seio da própria comissão parlamentar que, em primeira instância, os pretendeu apurar, mas que, por mão discricionária do PS, inviabilizou tal desiderato; e

3) da corresponsabilização político-partidária e governamental que, ao mais alto nível, deve ser agora imposta por via da verdade dos factos que, finalmente, vieram à luz do dia, confirmando tudo o que deles fora sinalizado!


– Entretanto e após esta sessão, conforme divulgado no Portal Azores Digital, o PSD/Açores, pela voz de António Ventura lamentou “o secretismo inaceitável” que tem rodeado todo este processo, salientando mesmo que “esta audição trouxe preocupações, acrescidas a todas as dúvidas que já tínhamos sobre um processo que é, no mínimo, estranho. Temos que perceber o que é que se passa, que forças são essas e que secretismo é esse, que impedem o apuramento da verdade”.

E questionando ainda mais fundo, o parlamentar deixou por fim outras pertinentes perspectivas de grande alcance e que não deixarão certamente de merecer a devida atenção por parte de todas as instâncias políticas, jurídicas e (eventualmente até) judiciárias, ao declarar:


– “Temos um director regional que omite informação sobre supostas ilegalidades, um secretário regional que não conhece a informação, temos um ex-secretário regional que diz que o presidente do governo teve conhecimento dessa informação e ainda um vice-presidente do governo que não quis avançar com um inquérito sobre o actual director do Museu de Angra”, relembrando finalmente que estão em curso investigações, pelo Tribunal de Contas, “relativas às obras da nova Biblioteca de Angra, do Museu da Boa Nova e do Centro de Artes Arquipélago. Acções confirmadas pelo ex-secretário regional e cujas conclusões ainda não são conhecidas, o que só prova que há ainda mais a descobrir e que as suspeitas aumentam”...
________________

Em "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 25.11.2014):



sexta-feira, novembro 21, 2014


Uma Audição Aberta
______________________________________________________



A Audição Aberta proposta e convocada pelo PSD, CDS-PP, PPM e BE no sentido de ser ouvido o antigo secretário regional Fagundes Duarte, e que teve lugar no dia 21 de Novembro em Angra do Heroísmo, com presenças pessoais e participações directas ou através de vídeo-conferência, constituiu, a todos os níveis e pontos de vista, um acontecimento inédito e marcante nos Açores, tanto pelo processo que a gerou quanto pelo conteúdo dos relevantes temas que estavam em causa e que foram efectivamente discutidos e clarificados de modo adequado, proporcionado e até potenciador de esperados e subsequentes desenvolvimentos, alcances e consequências político-partidárias, institucionais e cívicas...


– Deixando para posterior ocasião uma análise detalhada de quanto ali ocorreu – e do qual não deixarão certamente de dar conta nos próximos dias os OCS e as Redes Sociais –, queremos apenas nesta ocasião salientar o especial significado:


1) Da persistência democrática e lisura com que o PSD (através em primeiro lugar do deputado António Ventura) sempre deu provas em todo este intrincado imbróglio, no que aliás foi devidamente acompanhado pelos restantes partidos da Oposição (com a lamentável e inadmissível excepção do PCP), que não hesitaram em criar uma frente susceptível de fomentar novos espaços de participação, discussão e intervenção públicas, gerando mecanismos criadores de maior transparência de meios e fins nos tantas vezes obscuros meandros da administração e da vida regional;

2) da coragem e firmeza de que deu mostras Luiz Fagundes Duarte, mantendo a palavra dada e fornecendo, com legitimidade ética e independência de vontade, toda uma série de elementos que, desde o princípio aliás, deveriam ter sido levados em conta no seio da própria comissão parlamentar que, em primeira instância, os pretendeu apurar, mas que, por mão discricionária do PS, inviabilizou tal desiderato; e

3) da corresponsabilização político-partidária e governamental que, ao mais alto nível, deve ser agora imposta por via da verdade dos factos que, finalmente, vieram à luz do dia, confirmando tudo o que deles fora sinalizado!
______________

Em "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 22.11.2014):






sábado, novembro 15, 2014


As Menoridades Políticas
______________________________

Na sequência de uma série de exibições confrangedoras – que deram “brado”, hilaridade e até tiveram o condão de gerar “muito respeito pelo sofrimento [e] eventualmente pelo desespero de todo o ser humano” (sic), na forma, conteúdo e gestão de causas e matérias sobre as quais, com improvisada sebenta na mão e dedinho ao alto (em “portantos” de evidente insegurança) se foi sentenciando... –, um novel secretário “socialista”, com tiques de cátedra e cara de caso (depois de passar atestados de menoridade aos seus antecessores na tutela que provisoriamente detém), resolveu por estes dias elencar consabidos e recorrentes “temas nobres” de Educação e Cultura, não se coibindo, ao final, de ajuizar que “a nossa sociedade, toda ela, e a nossa comunicação social, que, obviamente, brota dela, tem quase sempre preferência por questões bem menores, que não contribuem para a promoção de todos nós”.


E logo depois, resguardando-se, lá aquilatou que “entre essas questões está naturalmente a questão do Museu de Angra do Heroísmo”!



– Mas terá Avelino Meneses razão ao garantir não só a substancial menoridade efectiva dessa pendência, quanto a real e seriada insignificância que a mesma tem para a confiada sustentação e/ou inocentada recondução (mandada assumir depois da alegada cegueira?) de vários dos lugares-tenente da turma governamental com que Cordeiro e Ávila tem presenteado os Açores?




Porém, talvez que em breve o caso (sem falar nas demandas do Tribunal de Contas...) vá mudar de figura com a aguardada Audição Pública de Fagundes Duarte já prevista para a semana e convocada (face às arrenegas de parte do PS e suas eventuais e hipotecadas muletas) por uma meritória e ampla frente político-parlamentar regional (accionada com seriedade por António Ventura), e que se espera consiga apurar a verdade e alcance dos documentos, contornos e actos nos quais estão directa ou indirectamente implicados esconsos próceres e rasteiros protagonistas de um vasto e nebuloso imbróglio que nada tem de “menor”, a não ser no ínfimo grau de responsabilidade democrática e cívica, abjecta falta de ética política e corruptiva impunidade jurídico-administrativa e partidária onde alguns o querem arrumar!

____________________

Em "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 15.11.2014):



























Azores Digital:























RTP-Açores:
























e "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 16.11.2014):