sábado, agosto 23, 2014


Sementes de Violência


Como se não bastasse tudo aquilo que a nível internacional nos chega através dos OCS e das Redes Sociais, cada vez com maior intensidade e crescentes contornos de brutalidade, estão as mesmas páginas mediáticas recheadas (de modo não só objectivo, proporcionado e realista, quanto também, amiúde, num empolamento estratégico e/ou apenas comercialmente movido...) de notícias, relatos de confrontos e versões de feiíssimas manifestações de agressividade, crimes atrozes e outras demenciais demonstrações de violência física, psicológica, social, discursiva e simbólica!


O fenómeno não é novo, mas aparece agora projectado e difundido a uma escala nunca dantes atingida e para efeito da qual muito contribui a conjugação de profundas e dilacerantes crises morais, societárias, culturais e civilizacionais com a disseminação massificada de novos sistemas de telecomunicações móveis, transmissão da informação e partilha quase planetariamente instantânea de mensagens verbais, imagens e valores...


– E neste quadro de cruzamentos e sobreposições reais e ficcionais de linguagens, comportamentos e técnicas (e assim, fundamentalmente, de tempos e espaços cognitivos e sensórios, privados e públicos), como é sabido e quotidianamente se revela potenciado a todos os níveis e modos possíveis, desempenham os Telemóveis um papel preponderante, conforme tem vindo a ser estudado também entre nós, v.g. no qualificado âmbito da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica (cujas teses e estudos a Paulus tem ajudado a divulgar, publicando-os).


 O tema tem premência, tanto mais quanto acabámos de assistir a mais uma consumada encenação conflitual (já pré-anunciada para nova réplica de “rolezinho” à portuguesa...) daquela espécie de “mobilização” (verdadeira “convocatória” de mob nas Redes Sociais, em computadores, telemóveis, iphones, ipads, etc.), para um dito “meet” ou meeting (ajuntamento, encontro, reunião) de jovens em diversos locais e centros comerciais de Lisboa!



 – A nada disto será estranho toda uma catastrófica acumulação de explosivas “sementes de violência”, numa análoga linha de filiação e montagem que Evan Hunter e Richard Brooks bem documentaram em 1954/55, como se fosse ontem...



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Em Azores Digital:




















RTP-Açores:
http://tv2.rtp.pt/acores/index.php?article=37270&visual=9&layout=17&tm=41:


e “Diário Insular” (Angra do Heroísmo, 23.08.2014):




























sábado, agosto 16, 2014


Réplicas de O Mandarim
na casa de Madame Augusta



1. Sem qualquer dúvida, foi por uma curiosa sobreposição de puras coincidências que ao decorrer a passagem do presidente da República Popular da China pela ilha Terceira estava eu acabando de tornar a reler o nosso Eça – e assim o confesso com toda a sinceridade e gosto –, quando praticamente em simultâneo se me deparou ali nas sempre apelativas, clássicas e actualizadas estantes de uma livraria angrense (a nossa sempre actualizada e informada "In Folio") a bem sugestiva chegada e colocação em merecido destaque da última obra de Jorge Luís Borges traduzida e editada em português (Lisboa, Quetzal, 2014).




 –  Biblioteca Pessoal, assim se chama esse atractivo livro onde o consagrado autor de Ficções, História da Eternidade, O Aleph, etc., regista um magistral, apesar de selectivo e sucinto, repertório daquilo que foram as suas leituras memoriais ao longo do tempo, numa espécie de “biblioteca díspar, feita de livros, ou de páginas, cuja leitura foi uma felicidade”, escreve ele e nós com ele em idêntico gesto o partilhamos e retomamos aqui “por razão clara”..., conquanto nem sequer, por outro lado mas a propósito, deixando de chegar-nos à lembrança a novamente debatida e complexa questão dos programas, autores e conteúdos dos curricula nacionais e regionais na área da Literatura e das Humanidades:

Velho, arrastado e indefinido empeço que continua a flutuar ao sabor luso-açórico de muita falta de conhecimentos estruturados e de visões estruturantes, quando não em incríveis sequências e protelamentos de dossiers, pastas e secretárias, toscas “task forces” de educação, ciência e cultura, e por aí adiante e para trás, conforme as modas e manias mais ou menos instrumentalizadas ou proteladas de acordo com a conjuntura político-ideológica ou a mera táctica do arremedo (e do arremesso...) nacional e/ou regionalista ad hoc!

–  E isto para já nem referir a mais incompetente oscilação histórica, metodológica e temática entre modelos científicos e epistemológicos que sempre tem coxeado entre uma espécie de residual positivismo regionalista, mais ou menos serôdio, fechado e passadista, e um discutível figurino de uniformidade nacional (às vezes material, formal e pragmaticamente necessária, é certo, mas cujas linhas gerais, obrigatórias e/ou facultativas, deixam sempre alguma potencial margem de entendimento e criatividade às tutelas e aos desempenhos regionais  – e nacionais, igualmente–, quando e se bem trabalhados, credíveis e reconhecidos como tal...).





Porém – vinha a dizer, lá acrescentava então Borges –, os professores “que são quem dispensa a fama, interessam-se menos pela beleza do que pelos vaivéns e pelas datas da literatura e pela prolixa análise de livros que se escreveram para essa análise, não para prazer do leitor.


– “ (...) Um livro é uma coisa entre as coisas, um volume perdido entre os volumes que povoam o indiferente Universo, até que encontra o seu leitor, o homem destinado aos seus símbolos. Acontece então a emoção singular chamada beleza, esse mistério belo que nem a psicologia nem a retórica decifram”...


2. No seu Prólogo a esta obra, Jorge Luís Borges fez também questão de salientar que os seus íntimos eleitos não o foram para esta antologia, um pouco iniciática aliás, por serem “forçosamente famosos”, nem em função dos seus próprios “hábitos literários”, nem sequer “de uma determinada tradição, de uma determinada escola, de tal país ou de tal época”, antes manifestando desejo que esta proposta e confluentemente assumida Biblioteca Pessoal fosse “tão diversa como a não saciada curiosidade que me induziu, e continua a induzir-me, à exploração de tantas linguagens e de tantas literaturas”...

– Em nota inserta nas badanas deste pequeno mas fascinante volume, bem sinalizado vem o perfil do autor, lembrando que nasceu em Buenos Aires (1899), de onde partiu em 1914 para uma viagem pela Europa, até 1921, ano em que regressa ao seu país e começa a participar activamente na vida cultural da Argentina.

Professor de Literatura, director da Biblioteca Nacional de Buenos Aires (1955-1973) e Prémio Formentor (1961), a par da poesia, Borges escreveu ficção, crítica e ensaio, sendo a sua obra “um mise en abîme de uma enorme biblioteca, uma construção fantástica e metafísica que cruza todos os saberes e os grandes temas universais: o tempo, o ‘eu e o outro’, Deus, o infinito, o sonho”, todos vistos ou apenas entrevistos ou vislumbrados, para além da cegueira física que cedo o atingiu, ou talvez devido a ela mesma, até à sua morte em Genebra, em 1986.




3. Ora no início desta Crónica dizia eu que a minha leitura desta Biblioteca Pessoal de Jorge Luís Borges coincidira com uma saborosa releitura de Eça de Queirós, logo por acaso na mesma altura em que Xi Jinping passava na Terceira e sendo que, de entre os 63 autores e obras seleccionadas por Borges (incluindo os Evangelhos Apócrifos, Hesse, Kafka, Kierkegaard, Flaubert, Bloy, Poe, Blake, Voltaire, Heródoto, Frei Luís de Léon...) para aquele seu cânone singular (que tem algumas semelhanças com um outro livro seu, Prólogos com um Prólogo dos Prólogos, editado em português no Brasil pela Rocco, em 1985, mas que se diferencia por exemplo das selecções de Harold Bloom...), lá encontrei precisamente nomeado o nosso imortal autor de Os Maias:

– E nem que por admirável sortilégio, precisamente escolhido e apreciado pela sua tantas vezes minorada novela O Mandarim (importante “novidade” no contexto da “escrita narrativa queirosiana”, “no plano da linguagem e tendo em vista as estratégias narrativas que nela emergem”, como entre nós precisou Carlos Reis, mas também importante pelo conteúdo estético-literário da Carta, em jeito de Prefácio, que Eça escreveu, em Agosto de 1884, para a respectiva edição francesa, para além de todas as outras dimensões e alcances morais, éticos, civilizacionais e sociais, e das potencialidades interpretativas, até psicanalíticas, que a obra pode proporcionar...)!



 
Enfim, de Eça traça Jorge Luís Borges uma subtil resenha biográfica, situando a sua vida e obra na nossa “pequena e ilustre pátria”, onde ficou famoso, embora tenha morrido “quase ignorado pelas outras terras da Europa”, apesar de ter sido postumamente consagrado pela “tardia crítica internacional” (que o reconheceu, depois, “como um dos primeiros prosadores e romancistas da sua época”):

“ (...) Eça de Queirós – continua Borges – foi esta coisa um tanto melancólica: um aristocrata pobre. (...) Cada oração que Eça de Queirós publicou foi limada e temperada, cada cena da vasta obra múltipla foi imaginada com probidade. O autor define-se como realista, mas esse realismo não exclui o quimérico, o sardónico, o amargo e o piedoso. Como o seu Portugal, que amava com carinho e com ironia, Eça de Queirós descobriu e revelou o Oriente. A história de O Mandarim (1880) é fantástica (...). A mente do leitor hospeda com alegria essa impossível fábula”...

– Agora, não me parecendo necessário nem possível entrar aqui em aberturas e pormenores sobre o enredo e a “Moralidade discreta” dessa notável e sempre, sempre muito recomendável peça literária, até porque, ao contrário do que o seu autor simula teatralizar numa espécie de epígrafe preambular, estes “calores do Estio” não deixam derivar muito nem embotar nenhuma ponta de sagacidade, tal como não nem poderiam fazer-nos repousar de um outro ainda mais “áspero estudo da Realidade humana”!




Porém, se isto e aquilo, que em Eça e Borges tão bela e gostosamente apreciamos, pode e deve merecer todo o nosso comprazimento literário e cultural, para além do prazer intelectual de os ler e reler ficcional ou realisticamente, como não despistar, pelo direito ou no avesso simbólico de O Mandarim, novos sinais premonitórios e igualmente sábios sobre os antigos e contemporâneos riscos e tentações de vermos tanto “amanuense do Ministério do Reino” a vender a alma e a pátria ao Diabo, dê-se também o nome que se der aos Teodoros (perpétuos, paradigmáticos ou recorrentes “mangas de lustrina à carteira” do Estado...), aos milhões sonhados nos oblíquos olhos de Ti Chin-Fu, às oníricas alianças com as generalas de toda a casta política, aos Camilloffs da geoestratégia mundial, ou até – vá lá... – à euro-lusa casa de hóspedes de Madame Augusta?!

–  De facto, ainda, e com condescendência:

“ – Portugal é um belo país...

“ Eu exclamei com secura e firmeza:

“ – É uma choldra, general”... 
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Em "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 17 de Agosto de 2014):





















e "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 13.09.2014):


sábado, agosto 09, 2014


A Imagem e o Espelho



O Editorial do “Diário Insular” (DI) de anteontem (07.08.2014) é um excepcional texto de análise e fundamentada problematização dos modelos hegemónicos da programação televisiva que enxameia e mentalmente conspurca o nosso espaço público.

– Trata-se de um artigo que honra este jornal, tanto quanto constitui ensaio de reflexão e registo crítico sobre o modo, dimensão e alcance daquela tão massiva exposição mediática “nas tomadas de decisão quotidianas, quer na vida pessoal [...], quer na vida em comunidade”.


Assim, começando pela questão da influência efectiva que nas percepções e acções do povo terá tão sistemática e panóptica programação (“mesmo pimba e mesmo pró reles”), o DI alveja de seguida os agiotas e oportunistas esquemas de negociata de catálogo e pérfido figurino que, sobrepondo-se aliás à já de si amiúde indigente, subserviente e pindérica produção local, “uma vez por outra aterram [...] aí pelos Açores, certamente onde são dadas condições (...) para que tais desatinos ocorram. Incautos, como em muitas outras circunstâncias, os açorianos lá criam as condições, certamente na esperança de o seu concelho, a sua terra, ganharem notoriedade, serem vistos ou coisa parecida”...

– E verdade é que o que está “em causa não é apenas o retorno para os Açores. É também o aleijão ético e moral de participar num processo que provavelmente estará a transformar este país numa espécie de ‘freak show’ dos pobrezinhos”!


Ora para quem presenciou o último “Verão Total” (tele-subproduto, provinciano e rafeiro, vendido à RTP pela “Coral”, numa tosca e aviltante parceria, neste caso, com a Câmara da Praia e com a serventia habitual – desde há tempos ainda mais medíocre e subserviente – da sua Delegação na Terceira), em nada o cenário denunciado pelo DI seria menos adequado!

– E depois, entre as potencialidades imensas de um (ausente e desperdiçado!) retrato fiel e honroso da Cidade e do Concelho, das suas gentes, valores e patrimónios, e aquela arrivista e humilhante pimbalhada toda (político-institucionalmente cozinhada e irresponsavelmente consentida aqui!), a distância é tão grande como a que separa as imagens reais dos aleijões engendrados à exacta e burlesca medida dos espelhos que cegamente a reflectem e pagam...

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Em Azores Digital:





















RTP-Açores:



























e “Diário Insular” (Angra do Heroísmo (09.08.2014):




sábado, agosto 02, 2014


A Pasteurização Turística 

Nesta época do ano multiplicam-se campanhas de divulgação dos países e regiões cujos patrimónios constituem destinos apelativos para o Turismo, sendo que a maior parte delas envolverá (sob pena de fracasso ou esbanjamento de verbas, trabalhos e ilusões...) toda uma série de políticas, métodos e recursos (públicos e privados), indo da construção da imagem do que se quer fazer ver e vender, até à confluente estruturação e implementação de complexas redes logísticas e de serviços – desde transportes até higiénicos manuseamentos de trens de cozinha... – capazes de viabilizar e sustentar, a todos os níveis da chamada “fileira turística”, consequentes ofertas e credíveis respostas àquilo que serão, em cada caso, os trunfos e as razões de ser dessa cada vez mais mundializada e concorrencial actividade!


– Nada disto é novidade de ouvido (ao menos em feiras, simpósios e bolsas de Turismo, ou nas sofisticadas acções da respectiva literatura e iconografia – desde vaquinhas em rotundas, mergulhos com tubarões ou lides à espera das puas de outra sorte..., passando pelos roteiros que, esses, faltam tanto, por desleixo, ignorância ou bairrismo..., e ainda pela “formação profissional” para agentes e vendedores temáticos, onde nenhum sofisticado meio au point ou PowerPoint carece de encómio.

Porém, continuam a vir à tona das nossas águas, terras e ares de sonho (ou apenas sonhados) múltiplos sinais de impasses e adiamentos que penalizam, desmotivam e levam a inegáveis falências (apesar do arremesso falacioso das estatísticas e do cálculo propagandístico nas contas e coberturas político-financeiras, a par daquelas micro-manigâncias de créditos e fundos bem/mal parados a termo certo)!

– E no meio disto tudo, curtindo mas ladeando por hoje velhos localismos (circuitos, hotéis, restaurantes e “tentações” do resto...)*, só vendo para crer aquela (paga?) publicidade do imaginativo leitinho das vacas açorianas, que – entrementes pastam no jardim – logo pingam bucólica e directamente nas chávenas dos pequenos-almoços dos turistas, na mais ridícula rábula que só a nata jornalística de um luso-marketing, pasteurizado à maneira, conseguiu mungir...
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(*) - Veja-se a referência feita do DI:























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Em Azores Digital:






















“Diário Insular” (Angra do Heroísmo, 02.08.2014),



























e RTP-Açores:
http://tv2.rtp.pt/acores/index.php?article=37105&visual=9&layout=17&tm=41:

sábado, julho 26, 2014



Identidade e Diásporas



1. Tal como foi comentada e muito apreciada, especialmente nas redes sociais, a notícia publicada pelo jornal “Diário Insular” na sua edição do passado dia 17, elaborou um bom e fiel resumo de todas as três Conferências e Debates do Painel realizado no dia anterior e subordinado ao tema “A diáspora e identidade açorianas: o caminho para realçar o potencial dos Açores?”, conforme constava no Programa da 1.ª Universidade de Verão promovida pelo Instituto Açoriano de Estudos Europeus e Relações Internacionais (IAEERI).


Ali, nas minhas intervenções, fiz uma análise do conceito de “diáspora”, que retomo nesta Crónica, a partir do seu principal paradigma bíblico, religioso e histórico (isto é, a Diáspora do povo judeu), articulando-o filosófica e sociologicamente com as novas diásporas da Modernidade e do Pós-Modernismo, com a chamada "diáspora açoriana" e com a tão debatida problemática da “identidade açoriana”.

– E assim foi exposta a origem e evolução do vocábulo e do conceito diáspora, derivado do grego e significando dispersão, migração ou colonização, e também como termo adoptado pela versão dos Setenta para traduzir diversas expressões de pessimismo existencial ou destinal usadas no hebraico (nomeadamente pelas comunidades judaicas radicadas fora da Palestina após o exílio e cativeiro da Babilónia).


Todavia, depois, esta expressão foi transitando gradualmente para o âmbito das ciências sociais, filosóficas, teológicas e literárias, generalizando-se ainda mais recentemente nos estudos sobre a globalização, a des-territorialização de minorias migrantes ou de grupos étnico-culturais, a reconfiguração das pertenças transnacionais e trans-regionais, os novos cosmopolitismos e nomadismos, os neo-tribalismos (centrífugos e centrípetos...), etc., com a constituição de múltiplas inter-redes reais e ficcionais de comunicação e informação, partilha ou sobreposição de vivências e mundos, todos eles afinal implicados em dinâmicas societárias, políticas, discursivas e psíquicas de identidades outras e de narrativas transferenciais alternativas...

– Ora é precisamente aqui que o problema teórico-prático das diásporas deve ser acoplado dialecticamente ao problema da identidade e das suas metamorfoses, sendo que esta questão tem vindo a ganhar ressurgimentos críticos desde os alvores da Modernidade até ao Pós-Modernismo, tanto na perspectiva da reflexão filosófica (sem a qual o essencial deste tema, enquanto ainda questionamento da subjectividade, da alteridade e da intersubjectividade, permanece impensado!), quanto nos âmbitos (inter)disciplinares da sociologia, da antropologia e dos estudos históricos e culturais, nomeadamente sobre a consciência, a identidade e a memória colectivas (estas, tal como as dimensões axiológicas e simbólicas da Tradição, sempre potencialmente evolutivas ou regressivas...), sem esquecer o que aí existe de consciente e de inconsciente, de reminiscências sedimentadas, vivas e criativas ou mortas e apenas procriadoras e societariamente reprodutoras ao modo primário ou recalcado dos mecanismos sonambulescos, dos comportamentos infantilizados ou dos actos programadamente manipuladores das consciências, num tempo e num espaço potencialmente retrógrados, alienados e sem grandeza humanizadora...


Neste contexto, portanto, é que foram formuladas as nossas perguntas sobre as mutações geracionais e as (im)permanências modelares de uma “identidade açoriana” activa, tanto no Arquipélago como nas nossas Comunidades diaspóricas, fazendo-se então radicar precisamente nessa reflexão objectiva a única via sólida e legítima para a (re)descoberta dos verdadeiros factores de “potencial dos Açores”, na Região e fora dela!

– Finalmente e segundo reafirmei, porém “potencial” dos Açores é que não serão certamente aquelas peregrinas e ilusórias acções de incensamento meramente retórico, cuja latência de engano e desilusão recorrente é tantas vezes despudoradamente agendado apenas para preencher rotinas ou granjear prebendas cuja suposta radicação na “açorianidade” (ou melhor, em interesses mais ou menos obscuros dela alegadamente derivados...), não contêm, na verdade, nem virtualidades nem virtudes dignas de qualquer esperança ou credibilidade...

2. No referido Painel abordei ainda várias das questões mais críticas relacionadas com a ligação das nossas Comunidades imigradas aos Açores e vice-versa (do ponto de vista comunicacional e informativo, cultural, económico, comercial, turístico, religioso, associativo e político).

– Por outro lado, mais reservadamente do que Reis Leite (que em boa verdade perspectivou o assunto com evidente prudência), não defendi tout court  nem sem mais o Voto dos imigrantes e dos não-residentes nas Eleições Regionais, antes ali implicitamente anuímos na complexidade democrática e técnica da questão (conforme de resto tem sido reflectido diversa ou confluentemente por Álvaro Monjardino), especialmente do ponto de vista da representação popular proporcionada e do seu consequente enquadramento político-constitucional e estatutário, apesar de, por minha parte, concordar com eles no que se refere à existência e valorização do Povo Açoriano, parte integrante, embora diferenciada, do Povo Português.


3. A questão da “vergonhosa” política de transportes – a que os açorianos em geral (residentes, emigrantes e imigrantes), e todo e qualquer visitante também, tem estado historicamente sujeitos – foi de facto referida por mim com bastante veemência (como não podia deixar de ser no contexto da abordagem efectuada), conforme aliás, para além da leitura académica, pude testemunhar pessoalmente ao referir casos exemplares, tanto nos Açores como nos Estados Unidos da América e no Canadá, não só relativos à dita política propriamente dita, quanto também ao modo como os nossos imigrantes açorianos são tantas vezes (mal) tratados por serviços aeroportuários, diplomáticos e consulares, e por várias companhias de aviação (incluindo a “nossa” SATA!), o mesmo, ou semelhante, infelizmente, acontecendo em vários países europeus com outros cidadãos e migrantes portugueses!


Contudo, nesta denominação de política de transportes deverão ser incluídos múltiplos dossiers, alguns historicamente ignorados, pendentes, esquecidos ou deliberadamente esbanjados em custos e aplicações, incluídos aí não somente as momentas ligações e transportes aéreos (tarifas; tabelas promocionais; rotas; destinos; horários; frota; placas giratórias do exterior e no interior; parcerias empresariais; esquemas e critérios de nomeação, selecção e escolhas de administração, gestão e de pessoal; contratos de trabalho, seus conteúdos, regalias e constrangimentos; modelos de serviço e atendimento em terra e no ar, articulação com a promoção turística dos Açores, etc., etc.), quanto também toda a estrutura logística e técnico-funcional dos transportes marítimos (passageiros e carga de/para o Arquipélago e inter-ilhas), e bem assim os transportes terrestres (desde as controversas scuts às redes viárias, com as conhecidas necessidades orçamentais, de segurança e de manutenção...).

– Foi pois neste espírito e com estes conteúdos pensados que proferi a citada intervenção, na sequência de muitas outras que tenho feito no mesmo sentido e para defesa dos interesses (direitos e deveres) dos Açores e dos Açorianos (onde quer que vivam, trabalhem e lutem por uma vida mais digna e feliz do que aquela que lhes foi negada na sua Pátria, no seu próprio País e nas nossas ilhas)!
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Em "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 26.07.2014):



























e "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 27.07.2014):





Os Leiloeiros da Pátria


As últimas semanas – tão recheadas de episódios cujo significado real só terá paralelo na sua confluente significação simbólica –, se vistas pelos olhos de um ficcional viajante planetário que resolvesse seguir sincrónica e diacronicamente o trânsito secular e os momentos pontuais dos calendários solares ou lunares das diferentes civilizações e povos da Terra – desde as sólidas mas misteriosas e enleantes muralhas da China até às decadentes matrizes da tardo-imperial Razão europeia, ou logo um pouco abaixo e para diante até aos frágeis e minúsculos ilhéus vulcânicos que emergem das cicatrizes da grande dorsal do Atlântico... –, não deixariam por certo de pô-lo de olhos em bico (irados ou lacrimejantes, conforme o teor das suas pupilas histórico-culturais, ético-espirituais e geopolíticas)!




 – Todavia, deixado entre parênteses tudo aquilo que nestes dias ter-se-lhe-ia mostrado como mais digno de registo e reflexão universais (desde os horrores bélicos nos trovejantes e mortíferos céus euro-asiáticos da Ucrânia até às reacendidas fogueiras dos para-bíblicos, sangrentos e sanguinários massacres e contra-terrores no Médio Oriente), talvez não escapassem a tal observador (quem sabe se por natural afinidade histórica ou reminiscência de leitura de algum clássico da literatura dos ancestrais filhos de Luso...) algumas das mais edificativas cenas e peripécias tragicómicas que se vem desenrolando nas marés e areais pantanosos de um quotidiano Alcácer-Quibir interno onde jazem destroços e pastam os gusanos da agiotagem, impune corrupção político-financeira, imperante garotice e baixeza de carácter das castas e aparelhos sociais ali e aqui promovidos à custa da exploração do Povo e das despudoradas fragilidades de uma “democracia” apenas nominal, disfuncional e acéfala, enquanto tudo e (quase) todos são compráveis ou vendidos neste babélico mercado de interesses, onde, desde a mercenária cacofonia político-partidária nacional e regional até ao internacional tilintar argentário das línguas na CPLP, cabem todos os leiloeiros das nações e da Pátria, de cara ao léu ou travestidos de “governantes”...

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Em "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 26.07.2014):






sexta-feira, julho 18, 2014



UNIVERSIDADE DE VERÃO 2014 DO INSTITUTO AÇORIANO 

DE ESTUDOS EUROPEUS E RELAÇÕES INTERNACIONAIS 







NOTA CONTEXTUAL A PROPÓSITO
DE UM DEBATE NO IAEERI 

1. A notícia publicada pelo jornal “Diário Insular” na sua edição de 17 do corrente elaborou um bom e fiel resumo de todas as três apreciadas Intervenções no último Painel do dia anterior (subordinado ao tema “A diáspora e identidade açorianas: o caminho para realçar o potencial dos Açores?”), integrado no Programa da 1.ª Universidade de Verão promovida pelo Instituto Açoriano de Estudos Europeus e Relações Internacionais (IAEERI).

– No caso da minha Conferência, que não estava previamente escrita na totalidade, fiz uma análise detalhada do conceito de “diáspora” a partir do seu principal paradigma bíblico e histórico (a Diáspora do povo judeu), articulando-o filosófica e sociologicamente com as novas diásporas da Modernidade e do Pós-Modernismo, com chamada "diáspora açoriana" e com a tão debatida problemática da “identidade açoriana”.

2. Depois abordei algumas das questões mais críticas relacionadas com a ligação das nossas comunidades imigradas aos Açores e vice-versa (do ponto de vista comunicacional e informativo, cultural, económico, comercial, turístico, religioso, associativo e político).

– Por outro lado, mais reservadamente do que Reis Leite (que em boa verdade também perspectivou o assunto com prudência...), não defendi tout court  nem sem mais o Voto dos imigrantes e dos não-residentes (o que não é a mais coisa!) nas Eleições Regionais, antes ali implicitamente anuímos e apontámos bem para a complexidade democrática e técnica da questão (conforme de resto tem sido reflectido diversa ou confluentemente, entre outros, também por Álvaro Monjardino), especialmente do ponto de vista da representação e do seu enquadramento político-constitucional, apesar de, por minha parte, concordar porém com ele no que se refere, genérica e especificamente, à existência e valorização de um chamado Povo Açoriano, parte integrante, embora diferenciada, do Povo Português.

3. A questão da "vergonhosa" política de transportes – a que os açorianos em geral (residentes, emigrantes e imigrantes em geral), mas todo e qualquer visitante também, tem estado historicamente sujeitos – foi de facto referida por mim, com bastante veemência (como não podia deixar de ser e no contexto da abordagem efectuada), conforme aliás, para além da leitura académica, pude testemunhar pessoalmente ao referir casos exemplares, pessoalmente presenciados, tanto nos Açores como nos Estados Unidos da América (onde vivi e estudei) e no Canadá (onde já estive por três vezes), e não só relativos à dita política propriamente dita, quanto também ao modo como os nossos imigrantes açorianos são tantas vezes (mal) tratados por serviços aeroportuários, diplomáticos e consulares, e por várias companhias de aviação (incluindo a “nossa” SATA!), o mesmo, ou semelhante, infelizmente, acontecendo também em vários países europeus, com os migrantes portugueses...

– Foi pois neste espírito e com este conteúdo que proferi a referida e aqui citada intervenção, na sequência de muitas outras que tenho feito no mesmo sentido e para defesa dos interesses (direitos e deveres) dos Açores e dos Açorianos onde quer que vivam, trabalhem e lutem por uma vida mais digna e feliz do que aquela que lhes foi negada no seu próprio País e na nossa terra!






sábado, julho 12, 2014



A Ilha nos Sinais do Verbo


1. O livro tem título sugestivo (A Ilha e o Verbo), subtítulo impressivamente mediático (“Dos Vulcões da Atlântida à Galáxia Digital”) e apelativo Prefácio (D. Manuel Clemente), constando de uma grande Entrevista conduzida por Paulo Rocha (jornalista da área da Religião e secretário da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais) e feita ao Padre António Rego.

– Harmoniosa personalidade (onde “tudo dá bem com tudo, da terra ao mar, da família à sociedade, da escrita à fala”, na “consonância geral do tom [...], nas palavras que usa, [e] como as distribui com igual generosidade por pessoas e temas”), desta autobiográfica narrativa dialogada (Paulinas, 2014) – para além de um curioso acervo fotográfico (com rostos e situações familiares) e de uma selecção de textos reflexivos, poéticos e teológicos (desde o “Mar”, “Liberdade” e “Concílio Vaticano II” até às belas evocações e sentidas preces ao Espírito Santo e ao Senhor Santo Cristo) –, um simples olhar pelo seu índice temático dá bem conta da riqueza do conteúdo e da pertinência dos depoimentos concedidos!

E é assim que – desde a reiterada e assumida condição existencial do autor (“Incuravelmente um ilhéu” até às suas abordagens e percursos pela “Pastoral das Comunicações”, passando por uma notável rememoração socio-eclesial e histórico-cultural, onde os Açores em geral e a Terceira e Angra do Heroísmo em particular (a vida no Seminário, as paróquias da Sé e da Conceição, os programas no RCA (Rádio Clube de Angra), o saudoso jornal “A União”, os Cursos de Cristandade, etc., etc.) – todas as palavras e as vivências de António Rego ganham nestas páginas e naquilo tudo que elas documentam uma admirável dimensão e novas potencialidades de sentido, tanto como repositório de memórias como sinais de construção do futuro...

– De resto isso acontece, para além do seu intrínseco interesse como testemunhos de várias épocas históricas e de outros tantos conjugados acontecimentos sociais, políticos, religiosos, institucionais e comunicacionais, talvez porque o agora cónego António Rego tenha, como bem viu o actual Patriarca de Lisboa, “aquela maneira açoriana de ser português, homem do mar em qualquer praia a que chegue”, expressa “naquele jeito de comunicar sempre, usando os meios mais sofisticados do modo mais natural; por isso tem e terá sempre os auditórios que quiser ter, porque todos queremos ser tratados como pessoas entre pessoas, [...] multidão dos que o temos como amigo”, modelo de Padre e Jornalista para uma Igreja aberta à Humanidade, mas fiel ao Verbo do seu Senhor.


2. Natural de S. Miguel (Capelas) e hoje com 73 anos (nasceu a 16 de Maio de 1941), o Padre António Rego viu recentemente (7 de Maio) este seu livro apresentado em Lisboa pelo seu amigo e conterrâneo Mário Mesquita – ver Reportagem e Entrevista aqui: http://video.pt.msn.com/watch/video/antonio-rego-lanca-a-ilha-e-o-verbo/295rnnhqt –, numa coincidente, feliz e associada comemoração dos seus 50 anos de Ordenação Sacerdotal (recebida em Ponta Delgada a 21 de Junho e cuja primeira cerimónia comemorativa decorreu já no passado dia 15 na igreja de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa, onde costuma celebrar missa, mas que será agora assinalada também na sua terra natal, numa festa marcando igualmente os mesmos anos de vida consagrada de sua irmã Alda Rego, freira dominicana).

– Por ocasião da presente efeméride sacerdotal do Padre António Rego e a propósito do lançamento de A Ilha e o Verbo (que agora, em boa ocasião, também ocorre em S. Miguel), muitas tem sido as referências à sua vida, actividades e múltiplas funções e responsabilidades que deteve, nomeadamente como coordenador e realizador de programas religiosos na TVI, director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, professor de Comunicação Televisiva na Universidade Católica Portuguesa e consultor do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais.

Entretanto, num depoimento prestado há poucas semanas ao “Voz da Verdade” – ler o respectivo texto na íntegra aqui: http://www.vozdaverdade.org/mobile/link1.php?id=4049 –, o Padre Rego salientou novamente a forte ligação às suas raízes açorianas, contando assim:

– “Todos nós temos a nossa infância ligada à terra, à família, à educação, à escola, à brincadeira. Eu não sou extraordinário em nada, mas sinto que respirei de uma forma um pouco original a vida nascendo nos Açores, numa família com oito irmãos, próximo do mar, com a escola paroquial defronte da minha casa, a igreja 15 metros acima, um jardim admirável onde fazia as minhas brincadeiras com a bicicleta. Tudo isto vulgaridades… mas, esse todo, quer familiar, quer religioso, tocou muito a minha vida”. De resto, a infância, segundo reafirmou àquele jornal, fez o pequeno António, o “Antonino” como era carinhosamente tratado entre nós, sonhar com o mundo:

“Tudo isto – a terra, a família, a escola – se passou com uma grande naturalidade, mas com uma sensibilidade muito açoriana, que nos dá outra forma de olhar, de sentir, de comunicar – por vezes imperceptivelmente, como é a pronúncia local! –, e que me fez sonhar com outros universos”. E mais confessou que não viu no facto de ser insular “um obstáculo, mas uma oportunidade” (...). “Ao contrário do que algumas pessoas me diziam, e até ainda dizem, o mar não era um muro, o mar era uma grande porta aberta, à ‘nossa altura’; assim plano, não era como as montanhas. O convívio com o mar foi muito bom”!

3. Inseparáveis neste açoriano – a quem a Diocese de Angra, infelizmente, ao longo destes anos todos, muito pouco, quase nada, soube colher e potenciar dos seus firmados talentos, préstimos e comprovadas qualidades...–  as harmonizadas condições e a profunda vocação de Sacerdote e de homem da Comunicação Social –, António Rego nunca deixou de manter uma forte ligação entre o Jornalismo e a acção pastoral da Palavra e do Espírito em todos os recantos da Terra e nas mais diversas comunidades nacionais e mundiais por onde passou, ou às quais se foi sucessivamente ligando, tal como acaba de testemunhar a um portal diocesano de Leiria-Fátima, com cujas palavras concluímos por hoje, dando-lhe o devido, reconhecido e merecido lugar, em discurso propriamente directo e pessoal:


– “Desde o ano em que me ordenei, e sem o haver pensado antes, fui enviado a trabalhar na rádio, numa rádio pequena, no jornal diocesano como chefe de redacção, em seguida na televisão e no cinema como crítico do Secretariado do Cinema e da Rádio. Quase de início, fui compreendendo, não que tinha segunda missão como jornalista, mas como padre implicado na missão das comunicações sociais. E vi entrelaçadas as duas actividades numa só, a que chamaria pastoral. Sempre estive ligado a uma paróquia e a uma comunidade sacerdotal. O Concílio tinha sido uma grande luz no caminho da Igreja e no meu caminho. E senti com naturalidade que era um padre, com carteira de jornalista, que desempenhava com naturalidade a missão para que fora enviado e que estaria na continuidade de alguns trabalhos feitos ainda no tempo de formação.

“ (...) Claro que dou muitas graças a Deus pelo que os meus olhos  viram e as câmaras e microfones captaram. Foram  experiências riquíssimas que trouxe para os media, depois de toda a operação de ser tocado pelas comunidades onde passei e revê-las exaustivamente nos programas gravados, editados, comentados e transmitidos. As coisas não me aconteceram uma vez apenas em cada recanto, mas entravam-me na alma. Entranhava, mesmo que no início estranhasse. Passei por Monte Athos, Mosteiros contemplativos, comunidades vivíssimas na África, Ásia e Brasil. Mas guardo no  coração a passagem pelas comunidades de todo o nosso país que, duma forma mais simples ou elaborada, vivem e celebram intensamente os valores das primeiras comunidades. Este é o meu jornalismo, de procura intensa de sinais de Deus para colocar sobre os telhados”...

– “ (...) Sei o muito que se fez e os desafios que temos pela frente. Creio que só continuaremos no caminho da fidelidade à missão, se estivermos atentos aos sinais que se vão abrindo e dispondo-nos de coração aberto à surpresa. Estamos em mudança de época, com novas propostas, valores e meios. Precisamos de perder o medo, pois o nosso Deus, condutor da história, continuará a revelar-nos o que já disse ao mundo pelo seu Filho e pela Igreja”.
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Em "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 12.07.2014):