ENTREVISTA AO “DIÁRIO INSULAR”
Angra do Heroísmo, 17 de Dezembro de 2014
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NINGUÉM MERECIA
ESSE MEDÍOCRE PROGRAMA!
“DIÁRIO INSULAR” (DI) – Como viu e com que ideia ficou do “Prós e
Contras” de Segunda-Feira passada?
EDUARDO FERRAZ DA ROSA (EFR) – Vi esse medíocre e
ridículo programa com um misto de surpresa (embora a expectativa não fosse
grande) e forte desagrado, para não dizer com incontida indignação!
Na verdade, desde o cenário e
correspondentes figurinos montados para aquele espectáculo de corte e cortesãos
– veja-se, por exemplo, o lugar de poder simbólico e institucional, apartada
primazia espacial e hegemonia de referências, em jeito de pedestal de Poder
tutelar em cadeirinha de sala de trono, onde colocaram o vice-líder e
presidente do executivo do PS-A, ao contrário dos habituais painéis de discussão
para contraditório – até à calculada escolha das personalidades em palco e
plateia a quem foi dada palavra, tudo foi planeado num guião pobre e exibido de
modo totalmente condicionante, manipulador e estrategicamente alinhado para a
produção ou desconstrução dos efeitos sequencial e denunciadamente debitados,
desde o princípio ao seu abrupto e folclórico fim...
– E ainda tivemos de suportar
aquela lamechice de laudes, mais ou menos líricas e bucólicas, com alguma mal
disfarçada chocarrice paternalista e quase ofensiva sobre vacas, turistas, a
carninha preferida do talho da Fátima e alguns outros caquécticos lugares comuns
sobre cultura!
Ninguém merecia, no meio de tão
encarneirado oceano mediático, uma tragicomédia apologética daquele calibre e
àquele preço; nem sequer quem talvez a terá fomentado, cá e na capital, sabe-se
lá com que objectivos centralistas...
DI – Com excepção do PS, os partidos políticos manifestaram-se contra
os critérios usados nesse Debate. Como entende tais tomadas de posição?
EFR
– Trata-se de uma reacção compreensível, plenamente justificada e que como tal
foi concretizada numa queixa apresentada contra a RTP à Entidade Reguladora da
Comunicação Social por todos esses partidos com representação parlamentar
regional (PSD, CDS/PP, PCP, BE e PPM), com base na evidente parcialidade, não
equitativa e discricionária, com que foi ali feita a selecção dos
intervenientes...
– A própria presidente do órgão
máximo da Autonomia acabaria por ficar (ou ser) insolitamente afastada!
E depois, relembro, até a FLA deu
sinal de si, queixando-se de não ter sido chamada a pronunciar-se sobre a nossa
“aventura” autonómica, acabando aliás por ter razão a posteriori na medida em
que a apresentadora não se coibiu de evocar o seu líder histórico, embora
apenas de modo nominal e quase tão superficialmente como em tudo o resto.
DI – Como avalia a presença e a participação da Terceira nessa
transmissão televisiva nacional?
EFR
– Não há palavras para classificar tamanho desplante!
Sem querer ofender ninguém, mas convidar
e conseguir juntar apenas meia dúzia de adolescentes para enquadramento daquela
escassa assistência (que me escuso de qualificar), não lembrava a ninguém...
Não há memória de tão surrealista
e inferiorizante prestação da Terceira e da sua delegação da RTP!
– Valeu, talvez, o equilibrismo
de Álamo Meneses, e – apesar do menosprezo em que todos, leviana ou
cobardemente, deixaram cair o problema da Base das Lajes – a tentada
irreverência fugaz de Roberto Monteiro.
Todavia, infelizmente e por muito
que nos custe assumir, a imagem que foi dada da nossa ilha, e do que já (não)
valemos em certos domínios, corresponde de facto mesmo àquilo que ali deixámos
mostrar, e aonde chegámos por culpa própria, cumplicidade silenciosa,
ignorância, preguiça e serventias de todo o género, numa escalada de menoridades
das quais dificilmente agora, sem líderes, elites, credibilidade e efectivo
poder algum, dificilmente sairemos amanhã...
– Como se viu anteontem!
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Em "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 17.12.2014):
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